Arquivos Literatura Nacional - Página 2 de 83 - Minha Vida Literária
Minha Vida Literária
31

jan
2022

[Vídeo Resenha] Lembranças — Munir Charruf

Através de Raquel, e de seu acordar sem lembranças, você, leitor e leitora, será sugado para uma realidade cruel, onde a regra é literalmente “um dia de cada vez”, pois, neste lugar, ninguém se Continue lendo »

25

jan
2022

[Resenha] A Linguagem do Amor — Lola Salgado

Aos 19 anos, a única coisa que realmente importa para Rebecca é se formar com louvor na faculdade de Letras para, no futuro, realizar o sonho de trabalhar em uma grande editora, perto de todos Continue lendo »

17

jan
2022

[Resenha] Livre de você — Marcela Brazão

Depois de quinze anos em uma relação amorosa, Camila é surpreendida por um pedido de divórcio de Diego, que de forma desonesta, no meio da segunda lua de mel do casal, decide terminar o Continue lendo »

07

jan
2022

[Resenha] A Gente Dá Certo — Pedro Poeira

Vó Cecília sempre foi a pessoa favorita de Caetano. Eles vão a shows, viagens, e jogam cartas valendo dinheiro desde que ele era criança. Após o tradicional almoço de Natal em família, o primeiro depois da morte de seu avô, Caetano entreouve uma conversa de seus pais e tios planejando a mudança de sua avó para uma comunidade de idosos. Desolado, ele encontra a avó em meio às fotos, lembranças e cartas assinadas por Didi, com quem Dona Cecília confessa ter vivido um “amor de verão por muitos verões”. Disposto a encontrar o amor perdido da avó, Caetano organiza uma viagem até Ubatuba com seu melhor amigo Júlio. No caminho, Júlio começa a agir de maneira estranha, como se guardasse um segredo, e as coisas parecem mais confusas do que nunca. Recheado de drama familiar, conflitos entre melhores amigos e uma playlist para todas as ocasiões, A gente dá certo nos faz torcer pelo final feliz até a última página.

 

Ficha Técnica

Título: A Gente Dá Certo
Autor: Pedro Poeira
Editora: Nacional
Número de Páginas: 208
Ano de Publicação: 2021
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Resenha: A Gente Dá Certo

Lançado pela editora Nacional, A gente dá certo é o romance de estreia de Pedro Poeira, cuja escrita já tinha me ganhado com a novela Adivinha quem não voltou para casa?, publicada em eBook de maneira independente.

Vó Cecília é a pessoa de quem Caetano é mais próximo. Por isso, quando ele ouve seus pais e tios conversando sobre enviá-la para um asilo, fica desesperado. Ao descobrir em cartas antigas da avó que ela teve um grande amor antes de se casar, Caetano decide embarcar em uma road trip com o melhor amigo, Júlio, em busca dessa paixão perdida, ansiando juntá-los para que dona Cecília tenha companhia e possa continuar morando em sua própria casa.

A gente dá certo é daqueles livros para se ler de uma só vez. Além dele em si não ser extenso, a escrita de Pedro Poeira é deliciosa e capaz de nos envolver em poucos parágrafos. Narrado em primeira pessoa por Caetano, o texto traz tanto as inseguranças e preocupações do jovem em início de vida adulta quanto uma narrativa muito bem-humorada, recheada de passagens divertidas que me provocaram o riso.

Além da dinamicidade em si da escrita, Pedro Poeira acerta na construção dos personagens. Caetano é gordo, e os reflexos da gordofobia que sofre impactam sua vivência, trazendo um importante tema para o enredo — ainda que esse não seja o foco da obra. Além dessa representatividade muito importante, A gente dá certo também entrega o romance LGBT, sendo uma comédia romântica entre melhores amigos com direito a alguns dos melhores clichês do gênero. Não só Júlio é um personagem encantador pelo apoio incondicional que oferece a Caetano, a tensão romântica e sexual entre os dois é presente desde o início, proporcionando um romance com gostosos frios na barriga. Ainda, outra personagem de grande destaque é Vó Cecília. Que figura incrível! Dona de algumas das passagens mais engraçadas da trama, a idosa quebra várias imagens pré-concebidas de pessoas na terceira idade, fazendo com que o livro também seja importante ao retratar as paixões e a sexualidade em uma época da vida em que, normalmente, não se assume ser possível a existência de ambas.

Recheado de referências da cultura pop, especialmente musicais — inclusive, o livro é acompanhado de playlist para embalar a leitura —, A gente dá certo tem como tema a coragem de se entregar ao que se ama, sejam relações, crenças ou propósitos. Caetano se vê obrigado a lidar com as mudanças, sempre tão presentes ao longo da vida, e descobre que tudo fica mais fácil quando existe amor, seja por se acreditar no que se faz, seja pelo apoio recebido. Também, Pedro Poeira nos lembra de que nunca é tarde para ir atrás do que desejamos, ou mesmo recomeçar. A fonte de amor pode ser inesgotável em nossas vidas, desde que estejamos abertos a ela.

De modo geral, A gente dá certo me proporcionou uma leitura leve e muito prazerosa, que fiz em poucas horas. Ao terminar, senti saudades dos personagens e tive a impressão de ter vivido com eles as aventuras a que se submetem. Mais do que tudo, fechei a contracapa sem pesos no coração e disposta a me lembrar de “aceitar o incrível”, porque, por mais difícil de acreditar que possa ser, “às vezes [algo] só é muito bom mesmo”.

04

jan
2022

[Resenha] Trilogia do Adeus — João Anzanello Carrascoza

Nesta trilogia, João Anzanello Carrascoza oferece um panorama que se estende através do tempo para falar da relação fragmentada das famílias. No primeiro livro, Caderno de um ausente (finalista do prêmio Jabuti 2015 e reeditado agora pela Alfaguara), o pai João escreve uma longa carta para a filha recém-nascida, Beatriz, para o caso de não estar presente no futuro dela. Já no segundo volume, Menina escrevendo com pai, é Bia quem responde, narrando a vida e o relacionamento dos dois. Por fim, em A pele da terra, Mateus, filho mais velho de João e irmão de Bia, narra sua relação com o próprio filho, outro João, durante uma peregrinação. Um olhar tríplice sobre os vínculos entre pais e filhos, e sobre como pequenas ações do cotidiano nos marcam para sempre.

 

Ficha Técnica

Título: Caderno de um ausente | Menina escrevendo com pai | A pele da terra
Autor: João Anzanello Carrascoza
Editora: Alfaguara
Número de Páginas: 136 | 144 | 108
Ano de Publicação: 2017
Adicione no Skoob: Livro 1 | Livro 2 | Livro 3
Compare e Compre: AmazonAmericanasSubmarino

 
 
 

Resenha: Trilogia do Adeus

A Trilogia do Adeus é a renomada série de João Anzanello Carrascoza composta pelos títulos Caderno de um ausente, Menina escrevendo com pai e A pele da terra. Com uma prosa sensível, o autor traz, em cada livro, a narrativa de um diferente membro de uma família, abordando situações do cotidiano e uma tentativa de capturar a essência de se estar vivo.

Caderno de um ausente é o segundo romance do autor, publicado primeiramente pela editora Cosac Naify e vice-finalista do Prêmio Jabuti em 2015. Nele, João, o narrador, é um homem de cerca de 50 anos que acaba de se tornar pai e escreve em um caderno para a filha Beatriz ao longo de seu primeiro ano de vida. Ele, preocupado em não poder acompanhar o crescimento de Bia por sua avançada idade, lembra a todo instante o quanto a chegada dela — como a vida — é marcada por ausências. Assim, a efemeridade, e o tempo como um todo, é um dos temas presentes entre as reflexões de João, que procura conscientizar a filha sobre a importância de capturar o agora, impossível de ser registrado em sua totalidade até mesmo pelas memórias, tão mutáveis e fugazes. E o texto de Carrascoza abriga em sua forma o conteúdo expresso: os parágrafos fluem entre vírgulas e um quase fluxo de consciência, dando à leitura a agilidade do tempo incapaz de ser contido. Da mesma maneira, os espaços que aparecem entre tantas palavras marcam a preocupação e a noção da iminente ausência — o vazio constituinte da própria experiência humana. Também, representam a importância do silêncio. As palavras, embora o veículo da comunicação, nem sempre expressam com exatidão sentimentos, impressões e insights que só podem ser compreendidos em momentos de silêncio, de total imersão no agora. Dessa forma, o autor a todo instante reflete sobre tempo, memória e linguagem, adicionando a camada metalinguística ao texto, já que pensa o próprio uso de suas palavras.

Menina escrevendo com pai foi publicado em conjunto com A pele da terra e com a reedição do primeiro volume pela editora Alfaguara, em 2017. Nele, a condição da memória se faz ainda mais evidente, uma vez que, agora, é Bia a narradora, relembrando seus vinte anos de vida ao lado do pai João. Diferentes fases de seu crescimento são rememorados, trazendo tanto a consciência da adulta quanto as lembranças das impressões da infância. Aqui, João Anzanello Carrascoza mantém o estilo de Caderno de um ausente, proporcionando, mais uma vez, uma leitura extremamente sensível e poética.

Por fim, A pele da terra encerra a trilogia com a narrativa de Mateus, primeiro filho de João e irmão mais velho de Bia. Agora separado da esposa, Mateus narra sua relação com o próprio filho — também João — enquanto trilham o caminho para Santiago da Compostela. O texto é marcado por setas, que tanto representam os rumos da peregrinação feita por pai e filho quanto indicam os sentimentos que Mateus dirige a João. Aliás, o fato de ele e o avô compartilharem o mesmo nome dá a característica cíclica da vida à obra de Carrascoza, que começa com um João narrando e se finaliza com outro João sendo objeto das reflexões narradas. Da mesma forma que nos livros anteriores, a consciência das ausências e da incapacidade de se conhecer o outro em sua plenitude dita o tom do texto, no qual Mateus tenta se apegar ao máximo aos instantes com o filho com quem nem sempre pode conviver. 

Em geral, a Trilogia do Adeus foi uma das leituras mais bonitas que já fiz na vida. Embora tenha gostado de Menina escrevendo com pai e A pele da terra, foi Caderno de um ausente quem me arrebatou, me proporcionando uma daquelas experiências em que eu tinha vontade de anotar todas as passagens, assim como sei que, futuramente, pretendo retornar a elas para releitura. A prosa de João Anzanello Carrascoza não só é pensada com esmero, mas é também de uma sensibilidade ímpar, capaz de emocionar pela mescla de beleza, literariedade, dor e poesia que entrega. Fica, também, a nota sobre a caprichada edição da Alfaguara: diagramados como pequenos cadernos de notas, trazem nesse formato uma maior sensação de intimidade, bem como deixam bem marcados nas páginas os sinais gráficos e espaçamentos utilizados pelo autor para acrescentarem sentido às palavras.

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