[Resenha] Invisível — Aimee Oliveira | Minha Vida Literária
Minha Vida Literária
07

jul
2020

[Resenha] Invisível — Aimee Oliveira

Entre noviças e outras mocinhas da alta sociedade, Carina LaDonne estuda no prestigioso internato Santa Tereza, na serra de Petrópolis no Rio de Janeiro. Ser praticamente invisível é sua maior característica, o que para muitos é motivo de vergonha, mas não para ela, que tira proveito desse dom para escapulir do internato de vez em quando sem que ninguém perceba. Em uma dessas fugas, porém, a habilidade da garota se volta contra ela: enquanto atravessa a rua, um motorista em alta velocidade não a vê passar, de modo que seu carro vai de encontro a ela.
O motorista em questão, Pedro Hockfiel, ao contrário de Carina, é notado e conhecido por todos. Em uma época em que internet e celulares estão um pouco longe de serem inventados, o jovem de 21 anos figura muitas das colunas sociais dos jornais, deixando a alta sociedade de cabelo em pé com sua vida boêmia. O que ele jamais poderia imaginar era que seus próprios cabelos ficariam em pé quando seu caminho, literalmente, colidisse com o de Carina, resultando em muito mais do que sustos e uma ida inesperada ao hospital.
Em Invisível, Aimee Oliveira mostra mais uma vez como é capaz de contar romances com um humor e magnetismo únicos. Com personagens apaixonantes, o leitor ficará preso à história de Pedro e Carina desde o início até além do ponto final.

 

Ficha Técnica

Título: Invisível
Autor: Aimee Oliveira
Editora: Duplo Sentido
Número de Páginas: 364
Ano de Publicação: 2019
Skoob: Adicione
Compre: AmazonDuplo Sentido

 
 
 

Resenha: Invisível

Invisível é o sucesso de Aimee Oliveira no Wattpad. Com mais de 3 milhões de leituras na plataforma, o romance passou por diversas versões até ganhar a sua final e definitiva, publicada em 2019 pela editora Duplo Sentido.

Carina LaDonne tem o dom de ser invisível. Filha do meio entre outros quatro irmãos, ela se vê sem atrativos ou algo que a defina, especialmente porque as pessoas ao seu redor não costumam reparar nela. Por isso, ela se aproveita disso para dar suas escapadas do internato religioso onde estuda. Porém, em uma dessas fugidas, ela é quase atropelada por Pedro, rapaz da alta sociedade do Rio de Janeiro e o oposto dela em termos de exposição. A partir desse encontro, Carina vai experimentar, pela primeira vez, a sensação de ser vista por alguém.

Invisível me ganhou na primeira página por conta da escrita sensível e delicada de Aimee Oliveira. Meu primeiro contato com sua narrativa havia sido por Romance Concreto, um chick-lit extremamente divertido, e, aqui, pude conferir uma outra faceta do seu trabalho, com uma carga mais melancólica — e eu amei a descoberta! Em terceira pessoa, a narrativa onisciente se alterna entre as perspectivas de Carina e Pedro, permitindo que o leitor se aproxime do que cada um pensa e sente. A escolha é acertada não apenas por possibilitar uma visão mais ampla da história, mas principalmente por intensificá-la: Carina, em especial, é extremamente insegura e incapaz de acreditar que Pedro pode gostar dela, então ter noção de que muitos de seus pensamentos são frutos de mentiras de sua mente torna tudo ainda mais angustiante.

Dessa maneira, Invisível progride através da percepção que Carina tem de si e de como ela fica vulnerável conforme a relação com Pedro se desenvolve. O romance, assim, cresce entre apreensão e doçura, uma vez que é impossível não se encantar pelo casal e torcer por ambos. A paixão que surge é daquelas que causa frio na barriga e uma ansiedade extrema pelo final feliz desejado.

Outro ponto interessante da leitura é que ela tem sua pitada histórica. Embora não seja especificado qual é o período em que a narrativa acontece, fica claro se tratar de algum momento entre as décadas de 1960 e 1980, cujos modos de vida afetam diretamente o que acontece entre o casal. Principalmente quando atingi os capítulos finais, as reviravoltas, potencializadas por toda a emoção construída ao longo da narrativa, me deixaram sem ar e com o coração extremamente apertado, que só aliviou ao virar, entre lágrimas, a última página.

No geral, Invisível me surpreendeu não porque eu não acreditasse em seu potencial, mas porque eu acreditava que o livro seria classificado como Jovem Adulto, quando, na verdade, é mais maduro do que o gênero comporta. Ele me proporcionou uma leitura doce e dolorosa em muitos momentos, que me fez desejar abraçar a protagonista e fazê-la confiar mais em si mesma. Eu adorei a escolha de Aimee Oliveira para o final, porque, ainda que nos faça sofrer, era necessário para o crescimento de Carina. Mais do que tudo, eu adorei como a autora nos faz finalizar a leitura com uma sensação de conforto e, sobretudo, esperança.





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4 Respostas para "[Resenha] Invisível — Aimee Oliveira"

RUDYNALVA CORREIA SOARES - 07, julho 2020 às (20:48)

Aione!
Toda leitura que carrega uma pitada de esperança no final, mesmo que talvez, não seja o que esperemos ou o desejado, já vale uma leitura.
Ver que a protagonista é insegura e que cria um mundo próprio, sem saber o que é real ou mentira, é difícil de conquistar, mas se há um crescimento, acredito que é importante.
cheirinhos
Rudy

Magda Marques - 07, julho 2020 às (23:52)

Oi Aione!
Eu amei sua resenha!
Desde que mostrou outro dia, e falou deste livro, fiquei super curiosa pra ler, agora, mais ainda.
Já que mês que vem é meu aniversário, vou pedir de presente para minha mãe…rsrs
Parabéns por escrever tão lindamente!!!

Angela Cunha - 09, julho 2020 às (07:27)

Tão gostoso quando alguém que conhecemos, realiza sonhos!Eu admiro demais tudo isso. Ainda não conhecia o livro, mas já fiquei encantada com o enredo, até por trazer essa pitada de esperança no enredo.
Outro ponto também que sempre me ganha é a forma poética. Sei lá, em tempos difíceis é sempre gostoso viajar em histórias assim, leves e com pontinhos de história!
Agora já vai pra lista de desejados!
Beijo

Bianca Martins - 29, julho 2020 às (17:58)

Acabei de ver seu vídeo dos 10 favoritos do primeiro semestre e fique encantada por Invisível.
Além de linda a capa.
Saber que ele é narrado em um período passado tbm é incrível .:)

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