[Resenha] Um Lugar Bem Longe Daqui — Delia Owens | Minha Vida Literária
Minha Vida Literária
10

jul
2020

[Resenha] Um Lugar Bem Longe Daqui — Delia Owens

Por anos, boatos sobre Kya Clark, a “Menina do Brejo”, assombraram Barkley Cove, uma calma cidade costeira da Carolina do Norte. Ela, no entanto, não é o que todos dizem.
Sensata e inteligente, Kya sobreviveu por anos sozinha no pântano que chama de lar, tendo as gaivotas como amigas e a areia como professora. Abandonada pela mãe, que não conseguiu suportar o marido abusivo e alcoólatra, e depois pelos irmãos, a menina viveu algum tempo na companhia negligente e por vezes brutal do pai, que acabou também por deixá-la.
Anos depois, quando dois jovens da cidade ficam intrigados com sua beleza selvagem, Kya se permite experimentar uma nova vida — até que o impensável acontece e um deles é encontrado morto.
Ao mesmo tempo uma ode à natureza, um emocionante romance de formação e uma surpreendente história de mistério, Um Lugar Bem Longe Daqui relembra que somos moldados pela criança que fomos um dia e que estamos todos sujeitos à beleza e à violência dos segredos que a natureza guarda.

 

Ficha Técnica

Título: Um Lugar Bem Longe Daqui
Título original: Where The Crawdads Sing
Autor: Delia Owens
Tradução: Fernanda Abreu
Editora: Intrínseca
Número de Páginas: 366
Ano de Publicação: 2019
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Resenha: Um Lugar Bem Longe Daqui

Um Lugar Bem Longe Daqui é o romance de estreia de Delia Owens, cientista e escritora que foi co-autora de outros três livros publicados na década de 1990 explorando suas viagens pela África. Publicado no Brasil pela editora Intrínseca, o romance foi primeiramente enviado no clube de assinatura Intrínsecos e, também, escolhido para o clube de leitura de Reese Whiterspoon.

Kya é conhecida como “a menina do brejo”. Abandonada pela família ainda criança, foi forçada a crescer sozinha em um pântano, ambiente considerado por muitos sujo e hostil, mas que, para ela, é seu lar. A solidão e o senso de individualidade definem a personalidade de Kya e moldam sua vida, também marcada pelo preconceito dos demais habitantes da cidade em relação a ela.

Um Lugar Bem Longe Daqui é um romance de formação, no qual acompanhamos o crescimento de Kya de sua infância à vida adulta. Em terceira pessoa, a narrativa onisciente é próxima o suficiente para conhecermos as emoções da protagonista em profundidade, mas afastada o bastante para que, ainda assim, ela conserve segredos e uma objetividade necessária para a trama. Os capítulos se alternam entre o final da década de 1960, momento em que Kya já é adulta e ocorreu um assassinato na cidade, e os anos entre o começo da década 1950 até o momento da investigação do caso. Dessa maneira, tanto podemos compreender a formação da protagonista adulta como, também, ter uma pitada de suspense e tensão na história, uma vez que nos vemos curiosos pela resolução do caso.

A ligação com a natureza é extremamente presente e essencial na trama. O paralelo entre a personagem e o meio onde ela vive é construído página após página. Um Lugar Bem Longe Daqui é um elogio ao pântano e ao brejo, uma apresentação de sua riqueza e diversidade. E o meio, tão complexo e renegado, acaba por ser uma metáfora da menina a quem ninguém vê e dá valor. Assim, a linguagem utilizada por Delia Owens tem um tom poético e sensível ainda maior por estar tão conectada à natureza que rodeia Kya.

Mesmo que a narrativa tenha um tom mais lento, com acontecimentos se dando aos poucos e bastantes descrições, a força das dores de Kya é tanta que essa foi uma das personagens que mais senti vontade de acolher nos últimos tempos. Sua solidão e rejeição são palpáveis, a ponto de eu senti-las em minha pele. É impossível não se compadecer por todas as dificuldades que ela enfrenta. Também, a característica histórica da obra a coloca em um momento de extrema segregação racial nos EUA, o que permite ao leitor ter esse panorama. Embora a protagonista seja branca, dois dos únicos personagens que a ajudam ao longo da trama são negros, e o racismo que eles sofrem aparece na história, mesmo que em segundo plano.

Em linhas gerais, Um Lugar Bem Longe Daqui foi uma das minhas melhores leituras deste ano, tanto por sua construção — com direito a reviravoltas e um final que me tiraram o fôlego — quanto, e principalmente, por sua escrita sensível, capaz de desenvolver tão bem a protagonista e o meio em que ela vive. 





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5 Respostas para "[Resenha] Um Lugar Bem Longe Daqui — Delia Owens"

eliane - 10, julho 2020 às (21:23)

OLA
Essa leitura agrada a todos! e eu simplemente estou com muita vontade de ler
ainda não consegui comprar o livro mas ele está no meu radar já um bom tempo

RUDYNALVA CORREIA SOARES - 10, julho 2020 às (22:28)

Aione!
Bom ver que foi uma das melhores leituras suas desse ano até aqui.
Para um bom livro tem de haver pesquisa e credito que toda a experiência da autora com suas pesquisaas, tenha trazido uma boa base para o livro.
O romance de formação para conquistar, tem de ter uma personagem de personalidade forte e que não deixa abater, apesar das vicissitudes que a vida programou para ela e mostrar toda uma vida sem se tornar ‘chata’. Além de tudo, aqui ainda temos esse tão assassinato e o mistério que envolve a trama. Deve ser um livro bem estimulante para leitura.
cheirinhos
Rudy

Angela Cunha - 11, julho 2020 às (08:11)

Este livro é amor do começo ao fim e estou aqui sorrindo a toa por você o ter lido!Ele é a minha melhor leitura até o momento, apesar de eu ser a louca que considera todos os livros lidos como os melhores da vida rs
Mas este é especial, Kya é especial, o brejo, a história, a dor, a solidão. Tudo nesse livro comove, conecta, dói.
Essa vontade de abraçar a menina é real. Não há como não deixar as lágrimas rolarem e oh, que final!!!!
Estou olhando para esse livro com um carinho imenso e sei que vou reler ele inúmeras vezes!!!
Beijo

Dheifen Sara - 11, julho 2020 às (08:58)

Oi Aione,
Este livro, de acordo com o que vi na sua resenha, me lembrou muitooo “Ruby” De Cynthia Bond. Desde a escrita bem descritiva, a ligação com a natureza, o tema racial, a exclusão da personagem de seu meio social e até os traumas de abandono. Ainda estou me recuperando da leitura de “Ruby”( sim, a leitura me marcou bastante), mas, já estou interessada em “Um lugar bem longe daqui”. Sinto que assim com a livro de Cynthia, este é um livro poeticamente amargo ( escrita impecável com uma história profunda e pesada). Abraços! Amo seu trabalho ♥♥♥

Bianca Martins - 29, julho 2020 às (18:04)

Eu gosto de livros que retratam o crescimento da personagem.
A gente se apega e deseja o melhor. 🙂
Não tem como não ficar animada com essa história, sabendo que foi uma das melhores leituras desse ano.

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