[Resenha] O Homem de Palha — Pablo Zorzi - Minha Vida Literária
Minha Vida Literária
06

set
2023

[Resenha] O Homem de Palha — Pablo Zorzi

Em uma gélida madrugada de Natal, o atropelamento de uma jovem desaparecida há dez anos é apenas o início de uma sequência de crimes brutais. Nos dias que se seguiram, mulheres grávidas começam a desaparecer sem deixar vestígios, com seus corpos sempre sendo encontrados empalhados e posicionados em cenas teatrais montadas por um psicopata cruel, que todos passam a chamar de O Homem de Palha.
Nesse cenário de conflito e tensão, caberá aos oficiais Gustavo Prado, um investigador local, e Allegra Green, a parceira que veio do sul do país, desvendar o mistério e encontrar o assassino que está espalhando terror por toda aquela região do Alasca.

 

Ficha Técnica: O Homem de Palha

Título: O Homem de Palha
Autor: Pablo Zorzi
Editora: Astral Cultural
Número de Páginas: 478
Ano de Publicação: 2022
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O homem de palha é o primeiro thriller policial de Pablo Zorzi, que publicou a ficção científica WOW!: O primeiro contato, seu romance de estreia, pela Verus. Publicado pela Astral Cultural em 2022, o livro é um prato cheio para quem procura suspenses envolventes e repletos de reviravoltas.

No Natal de 1993, Elsa Rugger, desaparecida há 10 anos, é atropelada, dando início a uma sombria sequência de assassinatos de mulheres grávidas — crimes creditados a um serial killer denominado O Homem de Palha. Porém, o que nenhum dos investigadores sequer imagina, é que Elsa Rugger morreu em 1983, e o responsável por matá-la não é o mesmo que agora fez seu corpo reaparecer.

O homem de palha alterna diferentes narrativas e perspectivas. Em primeira pessoa, temos o relato do assassino de Elsa Rugger, narrador não-confiável e sedento para que seus crimes sejam reconhecidos. Aliás, essa foi uma das minhas partes favoritas da leitura: foi no mínimo divertido acompanhar a ira de um serial killer movido a matar para ser reconhecido e, ao contrário, ficando cada vez mais contrariador por ver sua “obra” creditada a outro, o chamado Homem de Palha. Nesse sentido, o livro de Pablo Zorzi provavelmente foi o primeiro que li com uma rinha entre assassinos. Para além dessa, a narrativa principal e que estrutura o enredo se dá em terceira pessoa, alternando diferentes perspectivas de personagens centrais, sobretudo a de Gustavo Prado, investigador local e brasileiro. Há também alternância de linhas temporais: a de 1993, quando a história do romance acontece, e em anos anteriores, construindo importantes fatos do passado que, pouco a pouco, se interligam com a linha principal.

Toda essa alternância narrativa, organizada em capítulos relativamente curtos, promove uma leitura bastante ágil e envolvente, que ganha ainda mais ritmo devido à quantidade de eventos na história e, sobretudo, à capacidade de Pablo Zorzi de criar ganchos e gerar expectativa. Também, O homem de palha é rico em reviravoltas: todas as vezes que eu supunha ter percebido algo sobre o enredo, logo depois me deparava com um novo acontecimento que ou mudava totalmente minhas suposições ou confirmava como meu palpite anterior era a exata intenção do autor em nos fazer crer naquilo somente para nos ludibriar. Dessa maneira, o mistério é mantido até as últimas páginas e, mais do que isso, não desfaz a tensão em momento algum. Segui até o fim com a respiração travada no peito, porque mesmo os instantes de alívio são só uma ilusão até o próximo bote. 

Outro fator que me agradou bastante no livro foram as caracterizações. A figura de Gustavo Prado é a do típico investigador atormentado pelo passado, mas cuja bagagem conversa bem com a trama e a torna mais atrativa.  Também, a ambientação nas décadas de 1980 e 1990 foram um acerto: além de permitir um interessantes panorama histórico por meio de menções a acontecimentos da época salpicadas por todo enredo, trazem também outro grau de dificuldade para a resolução do caso, uma vez que o avanço tecnológico permitiria facilidades na investigação e na comunicação entre as personagens que não acontecem aqui.

Pelo ritmo voraz e pela deliciosa escrita de Pablo Zorzi, O homem de palha é certamente um ótimo exemplo de thrillers policiais, que consegue se ater às características próprias do gênero, mas manter uma identidade própria. O autor desenvolveu muito bem o mistério, incorporando a ele altas doses de tensão, mas conseguindo momentos de leveza por meio de diálogos que também sabem ser espirituosos — e, devo dizer, adoro o humor de Pablo. Por fim, vale dizer que, como comum ao gênero, as cenas dos crimes são descritivas, de maneira que o livro, ainda que não pese a mão na violência, não se configura como um thriller leve. Pelo contrário, foram muitos os momentos que me deixaram angustiada, como se espera em obras assim. Fica também o destaque para a caprichadíssima edição da Astral Cultural, que entrega uma diagramação confortável para a leitura e visualmente bastante atrativa.





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Uma resposta para "[Resenha] O Homem de Palha — Pablo Zorzi"

Júlia - 11, setembro 2023 às (18:49)

Fiquei tão feliz ao voltar aqui e ver que você ainda atualiza o blog, aqueceu o coração. Eu nunca ouvi falar desse livro, fiquei bem curiosa e seus comentários me fizeram ficar com ainda mais vontade de ler. Obrigada pela indicação!

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