#MeusQuarentextos | Identidade | Minha Vida Literária
Minha Vida Literária
20

jul
2021

#MeusQuarentextos | Identidade

#MeusQuarentextos é um projeto dos #EscritosDaAione sobre o período de quarentena. Esse é o 3º texto da série.

#MeusQuarentextos

Identidade

O “Quem sou eu?” é daquelas companhias esporadicamente fiéis na vida, ressurgindo por entre nossas novas autopercepções. Ultimamente, não acho que descobri algo novo sobre mim. Na verdade, tenho convivido com a sensação de ter me esquecido de quem sou.

Ironicamente, tem sido um dos momentos mais intensos de contato comigo mesma. Confinada, a introspecção deixa de ser um mero traço de personalidade para ser única saída. E nesse olhar para dentro, nesse ser minha própria companhia, viro e reviro dores, analiso, me escarafuncho tanto em busca de compreensões que retorno do mergulho com ainda mais questionamentos.

Não sei se me tornei mais intolerante ou se estou intolerante. Não sei se cicatrizes doem porque cutuquei ou se as feridas nunca fecharam. Não sei se a visão que tenho agora de mim corresponde a quem sou ou se olhei uma parte minha tão de perto que ela escondeu as demais. Ainda, não sei quem sou de todo porque ninguém existe sozinho, e já me esqueci de como era estar entre pessoas diferentes das que convivo. Não sei mais que papel desempenho em um grupo, ou qual é minha forma de interação — porque minhas reações e como me sinto socialmente são também peças do quebra-cabeça que me completa.

Mas, acima de tudo, esse meio tempo entre o antes e o depois me transformou, e não tenho como saber, agora, quem serei quando sair daqui. No começo, nutri a tola ilusão de que seria alguém melhor: mais grata, mais atenta ao que importa, mais compassiva. Porém, o durante tem me mostrado um lado tão perverso do mundo — lado esse que sempre existiu — que temo ter endurecido.

Talvez eu esteja ainda mais sensível às dores e lutas.
Talvez eu precise me esforçar mais, agora, para enxergar a beleza de antes em um mesmo raio de sol.

Ou, talvez, eu só precise emergir para retomar o fôlego, enchendo o pulmão de ares do mundo para me lembrar de que sou só um pedaço ínfimo num todo de conexões — um todo no qual a individualidade perde a força de sua relevância.





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