[Resenha] Em Águas Profundas — Patrícia Highsmith | Minha Vida Literária
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20

jan
2021

[Resenha] Em Águas Profundas — Patrícia Highsmith

Vic e Melinda estão longe de ser um casal feliz ― seu casamento é mantido por um acordo nada convencional: Melinda pode ter quantos amantes quiser contanto que não arraste os dois e a filha para o caos de um divórcio. Tudo parece bem, mas, com o passar do tempo, Vic começa a se incomodar com os homens escolhidos pela esposa e adota uma estratégia inusitada para afugentá-los, assumindo a autoria do assassinato de um deles. Só que a notícia se espalha por toda a cidade do interior dos Estados Unidos e o antes cidadão-modelo, benfeitor, marido mais do que tolerante e empreendedor abnegado vira alvo da maledicência de todos.
Tudo levava a crer que a vida voltaria ao normal quando o verdadeiro assassino é descoberto, mas a revelação da mentira de Vic é o estopim de uma reviravolta nas convicções do próprio e nas relações que mantém com a comunidade, com os amigos e com Melinda e seus vários amantes. O que se cria é uma trama intrincada, repleta de segredos, manipulação psicológica e sangue.
Em águas profundas tem a marca registrada de Patricia Highsmith: explora os abismos mais sombrios da psique humana e lança luz para o fato de que sob a superfície das personalidades mais pacatas e exemplares podem se esconder as mais sórdidas psicopatias.

 

Ficha Técnica

Título: Em Águas Profundas
Título original: Deep Water
Autor: Patrícia Highsmith
Tradução: Roberto Muggiati
Editora: Intrínseca
Número de Páginas: 304
Ano de Publicação: 2020
Skoob: Adicione
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Resenha: Em Águas Profundas

Em Em Águas Profundas, suspense psicológico de Patricia Highsmith originalmente publicado em 1957, traição e orgulho transformam a vida de um casal. A autora é a mesma de O Talentoso Ripley, aclamado livro que virou inclusive um filme.

Vic é casado com Melinda; contudo, Melinda é mais feliz com os amantes. Longe de ser um casal feliz, o acordo nada convencional é posto em jogo: para não largar Vic, Melinda pode ter quantos amantes quiser. Essa parece uma medida inspirada na ideia de que a pequena filha do casal não deveria sofrer com um divórcio, o que não é bem verdade. Enquanto o tempo passa, Vic começa a ficar incomodado com os homens que a esposa escolhe e decide adotar uma estratégia para afugentá-los. Ao assumir a autoria do assassinato de um deles, a notícia pela cidade do interior dos Estados Unidos se espalha de formas desproporcionais. Vic, antes visto como um bom cidadão, benfeitor, marido tolerante, transforma-se ao olhar de todos. E apesar de o verdadeiro assassino ser pego, a trama repleta de segredos e sangue segue manchando as linhas dessa obra.

O livro de Patricia Highsmith trabalha muito a questão de limites do ser humano. Até onde vai a tolerância de uma pessoa e o que se esconde além da superfície de sua personalidade? Vic, em sua estranha relação com Melinda, nos mostra que quanto mais ele retém pensamentos e se resigna diante de algo que o faz infeliz, mais sórdida e cruel sua mente fica. A obsessão por Melinda, o medo de perdê-la gera o estopim de uma reviravolta que atinge diretamente o próprio homem. E o mais estranho é que inicialmente eu odiei a mulher, sua falta de valorização e inconstância para com a filha e o marido. Contudo, após a revelação da personalidade que envolve Vic, foi que percebi o quanto somos enganados pela pele de cordeiro que os outros vestem.

Melinda, claro, não é uma santa. O relacionamento é tóxico e causado pelos dois. Um não quer abrir mão do relacionamento, a outra não quer abrir mão do dinheiro. E a valsa da desgraça iminente segue, levando a uma questão importante: Melinda não amava Vic e se apaixonar por outra pessoa revela ainda mais esse abismo no relacionamento. Em Águas Profundas me lembrou o famoso livro Garota Exemplar, por essa pegada doméstica nos suspenses, nos quais a vida cotidiana de uma família tradicional e bem aceita na comunidade gera uma estranha empatia até mesmo pelo verdadeiro vilão da história.

Realmente fiquei fascinada. Em Águas Profundas se mostrou eletrizante, o thriller de 1957, construiu uma trama que marca bem o conceito do “herói-criminoso”. Talvez pelo fato de que ambientes familiares fazem muito mais sentido para nós do que alguém completamente sozinho, as obras que se apoiam nesse tema e trabalham o perfil psicológico da família como um todo são muito mais fáceis de prender o leitor. Afinal, o resultado, a finalização do livro não se constitui apenas no que vai acontecer com eles, mas sim, o que iremos ver de mudança relevante naquela estrutura familiar.

Sou suspeita a falar, pois amo quando um suspense absorve uma quantidade gigante de fatos vividos por uma família. Vejo cada linha como se fosse algo que poderia estar acontecendo em outra casa, além, é claro, de mostrar em muitos casos que aquela pessoa ao qual glorificamos pode não ser uma santidade. Aconselho aos amantes de suspense que leiam Em Águas Profundas, é uma obra significativa no suspense psicológico.





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3 Respostas para "[Resenha] Em Águas Profundas — Patrícia Highsmith"

RUDYNALVA CORREIA SOARES - 20, janeiro 2021 às (22:43)

Francine!
Gosto demais de thrillers psicológicos, ainda mais quando envolvem a estrutura familiar, porque nada é o que parece ser…
Fiquei bem interessada em fazer a leitura.
cheirinhos
Rudy

Angela Cunha - 21, janeiro 2021 às (07:01)

Já comecei o ano desejando demais esse livro!
Eu sou fã assumida de um bom suspense e esse além do suspense, traz elementos de família que sei lá, deixam tudo ainda mais “turbulento”.
Fora a capa que é um show à parte.
Espero ter ele em mãos em breve!!!
Beijo

Angela Cunha - 21, janeiro 2021 às (07:02)

Já comecei o ano desejando demais esse livro!
Eu sou fã assumida de um bom suspense e esse além do suspense, traz elementos de família que sei lá, deixam tudo ainda mais “turbulento”.
Fora a capa que é um show à parte.
Espero ter ele em mãos em breve e mergulhar literalmente nesse enredo!
Beijo

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