[Vídeo Resenha] Travessuras da "Minha" Menina Má — Otávio Bravo | #MVLTODODIA | Minha Vida Literária
21

jul
2018

[Vídeo Resenha] Travessuras da “Minha” Menina Má — Otávio Bravo | #MVLTODODIA

Título: Travessuras da “Minha” Menina Má — vol. 1, 2 e 3
Autor: Otávio Bravo
Editora: Chiado
Número de Páginas: 358 ♥ 250 ♥ 558
Data de Publicação: 2018
Skoob: Volume IVolume IIVolume III
Saiba mais: Travessuras da “Minha” Menina Má
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RESENHA EM VÍDEO


 

RESENHA ESCRITA

Inspirado no Travessuras da Menina Má do peruano Mario Vargas Llosa, o brasileiro Otávio Bravo cria o seu Travessuras da “Minha” Menina Má dividido em três volumes, nos quais se debruça por toda a vida de Victor, marcada por altos, baixos e, especialmente, pela presença de Maria Eduarda — a Duda, sua “menina má”.

O primeiro volume que compõe a obra já prenuncia as características que continuarão presentes por toda sua extensão. O prólogo, datado do final da década de 2020, antecipa o caráter memorialista da narrativa e alguns dos acontecimentos da vida do protagonista, compreendidos apenas quando lidos no todo. Ainda, o livro que abre a história é recheado dos detalhes que a caracterizam, assim como traz elementos fundamentais para a construção da personalidade de Victor, que ajudarão na compreensão de suas escolhas e ações futuras. Dos três livros, foi o que me proporcionou leitura mais lenta, mas essencial para adentrar na atmosfera da narrativa.

Se no primeiro volume de Travessuras da “Minha” Menina Má o fluir das páginas não foi tão ágil, no segundo a experiência foi oposta. A entrada de Maria Eduarda na vida de Victor — e, consequentemente, na do leitor — é intensa desde seu princípio e provoca maior velocidade na leitura. Os altos e baixos proporcionados pela menina má então se iniciam e são apenas a ponta do Iceberg que será desenvolvido no terceiro e último volume da obra. Nele, o mais longo dos três, Victor percorre sua própria Divina Comédia, indo dos círculos do Inferno aos seus instantes passados pelo Purgatório e Paraíso. No fechamento da trama, dá-se também a perspectiva final de sua existência e o balanço de todo caminho percorrido.

A linguagem de Otávio Bravo tem seus toques de requinte e se adequa com perfeição ao caráter erudito do próprio Victor, acadêmico renomado. Assim, a narrativa em primeira pessoa da obra se constitui em tom muito próprio, que não apenas se debruça em sentimentos, memórias e reflexões do próprio protagonista como também apresenta referências culturais diversas. Outro ponto interessante é a contextualização histórica que a obra apresenta de cada período vivenciado: enquanto a vida de Victor se desenrola, o mundo ao seu redor também se transforma e o sujeito que nele vive é impactado a todo momento por essas mudanças. Mesmo os períodos futuros a nosso presente (as décadas entre 2020 e meados da de 2050) trazem sua contextualização, com detalhes imaginados pelo autor.

Assim, se há um trabalho bem elaborado e descritivo em termos de cenários, épocas e narrativa, pode-se esperar o mesmo das personagens de Travessuras da “Minha” Menina Má e, aqui, Otávio Bravo atinge seu ápice. A história narrada é complexa porque assim o são suas personagens, sobretudo a menina má. Maria Eduarda me cativou por suas falhas e mistérios e me despertou a empatia por compreender o vazio que existe em sua alma. Tal sensação é resultante da habilidade ímpar de Otávio Bravo em, assim, nos aproximar de Victor, já que torna-se possível entender seu arrebatamento pela menina. Ao mesmo tempo, foi o protagonista quem mais me despertou sentimentos contraditórios, justamente por se submeter tanto aos caprichos de Duda e acabar sendo impactado por eles. De qualquer maneira, as emoções que compõem o relacionamento entre ambos são muitas e múltiplas, multifacetadas e, por vezes, opostas entre si.

Em linhas gerais, Travessuras da “Minha” Menina Má me proporcionou uma experiência única de leitura. Tive uma imersão total na narrativa, que por vezes se desdobrou de maneira lenta, e vivi com Victor toda sua montanha-russa emocional. Ao final dos três volumes, minha sensação era de que as personagens de fato existiam e eram próximas de mim, que esse era o relato de um amigo imperfeito e querido. Acima de tudo, o olhar para a vida particular de Victor me proporcionou o olhar para a vida em si, com todas as suas características e fases. Não apenas fiz uma leitura; refleti sobre aspectos de minha própria existência.





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