[Vídeo Resenha] Da Flama do Toque À Fleuma da Solidão — Túlio Maranhão - Minha Vida Literária
Minha Vida Literária
26

nov
2020

[Vídeo Resenha] Da Flama do Toque À Fleuma da Solidão — Túlio Maranhão

“Este é um livro deveria existir despido. Sem capa. Nem contracapa. Numa tentativa de honrar o toque sublime de uma obra que não se restringe a faces. Contudo, uma sinopse vale a pena porque um bom leitor aprecia um bom convite — e, aliás, todo convite também é um aviso. As ilustrações vertem a poesia em forma, mas é na alma do autor que a poesia se fez prosa. Nas entrelinhas, há uma só história em algumas estórias protagonizadas pelo ubíquo escarlate da memória. Anjos e demônios se confundem. A lascívia escancarada realça uma humanidade que ignora a solidão. Na reflexão entre o céu e a terra, há um claro abismo escuro perpetuado por uma realidade que não merecia palavras — apenas sonhos. Por fim, o choro dos violinos completa uma orquestra de romances rasurados, versos controversos, dores e odores.”
Por: Emily Melo

 

Ficha Técnica

Título: Da Flama do Toque À Fleuma da Solidão
Autor: Túlio Maranhão
Editora: Publicação Independente
Número de Páginas: 112
Ano de Publicação: 2020
Skoob: Adicione
Compre o eBook: Amazon

 
 
 

VÍDEO RESENHA: Da Flama do Toque À Fleuma da Solidão


 
 

RESENHA ESCRITA: Da Flama do Toque À Fleuma da Solidão

Da Flama do Toque À Fleuma da Solidão é a obra de estreia de Túlio Maranhão, médico de 27 anos que se aventurou na escrita dos contos a partir de um desafio proposto por amigos em uma mesa de bar. O que começou como uma brincadeira resultou em uma antologia com textos dos mais bem escritos que li nos últimos tempos.

Os 36 contos do livro são divididos em três partes, que agrupam temas em comum. Na primeira, temos aqueles que remetem às diferentes origens: de uma vida, de um amor, da literatura e poesia como um todo. Na segunda, as situações são as típicas de uma vivência em curso. Por fim, na última, os contos trazem uma perspectiva de um estágio mais avançado, com um olhar de quem viveu e se olha para trás. Dessa maneira, há uma disposição cíclica entre os temas dos textos, formando uma ideia de começo, meio e fim, mesmo que não haja conexão entre eles. A linearidade é de ideias, não do que é narrado.

Como o próprio subtítulo de Da Flama do Toque À Fleuma da Solidão indica, aqui há contos de amor. O amor aparece na obra sob diferentes facetas e em diferentes estágios, indo do familiar ao romântico, marcado pela empolgação inicial ou pela melancolia de um fim. Há, também, textos nos quais transborda o erotismo. Em termos de forma, há contos de caráter narrativo, outros declamatórios, outros que assumem o formato de carta.

O estilo de Túlio Maranhão, no geral, é de quem se aproxima de uma erudição, seja pela escolha de vocábulos e construção de frases, sejam pelas referências utilizadas. A mitologia grega é central na obra, inclusive para dividi-la. Como, na antiguidade grega, os mitos eram utilizados para explicar as origens do mundo, eles aparecem em Da Flama do Toque À Fleuma da Solidão quase que com a mesma função. E, apesar da escrita rebuscada do autor, o tom não é de pedantismo ou artificialidade. Muito pelo contrário, Túlio tem afinidade com as palavras e sabe combiná-las de maneira natural, fazendo com que o texto, mesmo que em prosa, seja um tanto quanto poético. Há sensibilidade no que é dito e as emoções estão em cada letra. Vale dizer: há um caráter gradativamente sombrio que toma os contos ao fluir das páginas, de maneira que eles também abrangem sentimentos de dor e contradição, tão comuns à experiência de vida.

No geral, adorei a leitura especialmente pela habilidade do autor. Entre meus contos favoritos, estão aqueles em que há uma espécie de brincadeira através de jogos de palavras, como em “Sobre pontos & contos; encontros & desencontros”; nele, o autor usa termos gramaticais, deslocados de seus sentidos, de forma corrente no texto. A antologia conta com ilustrações de Mateus Gualberto, que fazem da obra não apenas mais visualmente bonita, mas também mais completa.





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6 Respostas para "[Vídeo Resenha] Da Flama do Toque À Fleuma da Solidão — Túlio Maranhão"

Anna Mendes - 26, novembro 2020 às (19:47)

Oi Aione!
Que bacana essa indicação nacional!
Adoro ler contos! Achei interessante a temática que o autor escolheu para os contos e essa questão dos estágios.
Legal o autor ter colocado a mitologia grega nos contos. É algo diferente.
E que edição linda! Amei as ilustrações!
Fiquei bem curiosa para conhecer essa antologia! 🙂 Parecem ser contos bem diversos!
Bjos!

RUDYNALVA CORREIA SOARES - 26, novembro 2020 às (23:51)

Oi Aione!
Gosto muito de Antologias e de autores nacionais, ainda melhor.
Tão bom ver textos bem escritos e profundos.
Adoro livros que falam de amor.
E essa capa é lindíssima, adorei.
Parece que ele foi bem inteligente em correlacionar com a mitologia grega, já gostei.
Textos eruditos, geralmente são mais cultos.
Já gostei e anotei, me chamou muita atenção.
cheirinhos
Rudy

Angela Cunha - 27, novembro 2020 às (06:04)

Que lindo isso! Digo do autor não ser um autor e ao mesmo tempo, ter se tornado um autor em uma mesa de bar. Tá, já estava tudo dentro dele né? Só faltava o incentivo e pelo que vi no vídeo, o livro é maravilhoso, repleto de amor e de todos os sentimentos!
Além de amar contos, eu amo isso, quando a alma é exposta, nua e crua ali, sem firulas.
Com certeza se puder, quero muito ter essa lindeza em mãos!!!
Beijo

eliane - 27, novembro 2020 às (21:26)

Ola
como são as coisas não é mesmo ?um medico numa mesa de bar , aceita o desafio dos amigos e desse desafio nasce um conto .
espero que ele continue colocando seus talentos a serviço da literatura nacional

Ana Paula Santos Moreira - 30, novembro 2020 às (22:09)

Tenho tentado valorizar ao máximo a literatura nacional, independente do gênero. Tem bastante tempo que não leio contos, mesmo não tendo tanta afinidade, é valida a leitura na primeira oportunidade.

Elizete Silva - 30, novembro 2020 às (22:41)

Olá! Eu amo contos, o último que li foi o Quatro amores na Escócia (que eu amei)! E para ser sincera eu amo esse tipo de leitura! E esse livro em especial chamou minha atenção por dois motivos, a maneira que ele foi escrito (fiquei curiosa) e por trazer um pouco da mitologia!

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