[Resenha] O Impulso - Ashley Audrain | Minha Vida Literária
Minha Vida Literária
31

mar
2021

[Resenha] O Impulso – Ashley Audrain

Blythe Connor está decidida a ser a mãe perfeita, calorosa e acolhedora que nunca teve. Porém, no começo exaustivo da maternidade, ela descobre que sua filha Violet não se comporta como a maioria das crianças. Ou ela estaria imaginando? Seu marido Fox está certo de que é tudo fruto do cansaço e que essa é apenas uma fase difícil.
Conforme seus medos são ignorados, Blythe começa a duvidar da própria sanidade. Mas quando nasce Sam, o segundo filho do casal, a experiência de Blythe é completamente diferente, e até Violet parece se dar bem com o irmãozinho. Bem no momento em que a vida parecia estar finalmente se ajustando, um grave acidente faz tudo sair dos trilhos, e Blythe é obrigada a confrontar a verdade.
Neste eletrizante romance de estreia, Ashley Audrain escreve com maestria sobre o que os laços de família escondem e os dilemas invisíveis da maternidade, nos convidando a refletir: até onde precisamos ir para questionar aquilo em que acreditamos?

 

FICHA TÉCNICA

Título: O Impulso
Título original: The Push
Autor: Ashley Audrain
Tradução: Lígia Azevedo
Editora: Paralela
Número de Páginas: 328
Ano de Publicação: 2021
Skoob: Adicione
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RESENHA: O IMPULSO

Três gerações são desmembradas ao tratar de casos mórbidos sobre maternidade. Esse é O Impulso da autora Ashley Audrain, a sua estreia na literatura e no gênero Thriller.

A mãe perfeita, calorosa, acolhedora, que nunca teve, mas queria ser de qualquer forma para seus filhos. Contudo, a maternidade se mostra muito mais exaustiva do que imaginava e o pesadelo de seus dias está em Violet, a filha que não tem um comportamento normal para uma criança. Ou será que é apenas coisa da sua cabeça? Fox, o marido atencioso e amoroso garante que tudo se trata do cansaço e que a fase é realmente difícil. Os medos ignorados, a sanidade contestada, Blythe sente que Sam, o segundo filho do casal, pode significar uma nova experiência. Violet gosta do irmão, tem carinho por ele. E isso só faz Blythe acreditar que a vida está finalmente se ajustando. Até que tudo sai dos trilhos e um acidente faz com que seja necessário, ainda que doloroso, o confronto com a realidade.

Blythe é uma mãe. Apesar dessa ser uma frase curta, as sutilezas que constroem o livro estão completamente intrincadas nela. Isso por se tratar de uma narração voltada para o relato de mulheres de sua família — a protagonista, sua mãe e sua avó — e a relação das três com a maternidade. O fato de Blythe não ser uma narradora confiável faz da história ainda mais pesada e confusa, apresentando situações que não possuem um limite definido entre o que realmente aconteceu e o que é apenas parte das vivências de puérperas.

O que mais gosto desse conjunto de peças é que, ao montar o quebra-cabeça, o resultado não é o esperado. Simplesmente nada é óbvio. O psicológico da mulher é eviscerado, sem amenizar o impacto que é gerar uma vida. Estive nessa situação há dois anos, a magnitude dos sentimentos podia ser tão avassaladora quanto recompensadora. É inexplicável. Mesmo tentando contar o que eu sentia, externar e receber compreensão, acabava fechando ainda mais meus pensamentos na perturbadora questão de: o que se espera de uma mãe?

Algo interessante em O Impulso é a dinâmica dos capítulos. De forma ágil, a autora apresenta textos curtos, com uma acidez voraz e escrita destruidora. É magnifico como ela reproduz uma série de acontecimentos e fatos sobre a maternidade, sobre a expectativa dos outros em cima da mãe e da própria mulher em cima do filho. Esse é um ciclo vicioso que só se rompe quando estudado a fundo. Afinal, onde começou? Com minha mãe? Com minha avó? Comigo? Em minha família temos uma série de abandonos, reencontros, mágoas e mulheres. Isso pelo fato de que minha avó engravidou cedo e teve de doar a criança. Minha mãe engravidou e foi expulsa da casa dos pais adotivos. Minha irmã teve de ser criada pelos avós sem conseguir receber o afeto materno. Eu fui abandonada por um pai e cuidada por pessoas que não queriam fazê-lo. Hoje eu tenho uma filha, e estar nessa situação me faz recomendar muito a leitura desse livro.

Se jogue nessa realidade, na obscuridade, no cansaço, nas frases autodepreciativas de uma mulher, de uma mãe, e entenda um pouco do que significa a luta pelo direito de decidir o que fazer com seu corpo.





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