[Resenha] O Nome do Vento — Patrick Rothfuss | Minha Vida Literária
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24

mar
2020

[Resenha] O Nome do Vento — Patrick Rothfuss

Título: O Nome do Vento
Título original: The Name of the Wind
Autor: Patrick Rothfuss
Tradução: Vera Ribeiro
Editora: Arqueiro
Número de Páginas: 656
Ano de Publicação: 2009
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Ninguém sabe ao certo quem é o herói ou o vilão desse fascinante universo criado por Patrick Rothfuss. Na realidade, essas duas figuras se concentram em Kote, um homem enigmático que se esconde sob a identidade de proprietário da hospedaria Marco do Percurso.
Da infância numa trupe de artistas itinerantes, passando pelos anos vividos numa cidade hostil e pelo esforço para ingressar na escola de magia, O nome do vento acompanha a trajetória de Kote e as duas forças que movem sua vida: o desejo de aprender o mistério por trás da arte de nomear as coisas e a necessidade de reunir informações sobre o Chandriano – os lendários demônios que assassinaram sua família no passado.
Quando esses seres do mal reaparecem na cidade, um cronista suspeita de que o misterioso Kote seja o personagem principal de diversas histórias que rondam a região e decide aproximar-se dele para descobrir a verdade.
Pouco a pouco, a história de Kote vai sendo revelada, assim como sua multifacetada personalidade – notório mago, esmerado ladrão, amante viril, herói salvador, músico magistral, assassino infame.
Nesta provocante narrativa, o leitor é transportado para um mundo fantástico, repleto de mitos e seres fabulosos, heróis e vilões, ladrões e trovadores, amor e ódio, paixão e vingança.

Quando decidiu escrever A Crônica do Matador do Rei, Patrick Rothfuss batizou o trabalho de “O Livro”, isso por se tratar de uma fantasia construída minuciosamente. Para quem leu a série, iniciada por O Nome do Vento, fica claro o motivo desse título. Rothfuss mergulhou em um trabalho que levaria anos, mas trazendo consigo o peso de um mundo complexo e fabuloso.

Kote, um homem enigmático que se esconde atrás da personalidade calma e discreta do proprietário de uma hospedaria chamada Marco do Percurso, é o herói dessa história. Bom, talvez não. Apesar de não se saber ao certo, uma coisa posso garantir: Kote é um homem que viajou muito. Na infância participou de uma trupe de artistas itinerantes, depois viveu por anos em uma cidade hostil e, se não fosse pelo seu esforço e sagacidade, não teria entrado para a maior escola de magia que existe — nesse universo a magia é mais ligada a alquimia, ciência mística da Idade Média.

Em O Nome do Vento, acompanharemos Kote adulto narrando a história da sua vida para um cronista, que carrega consigo a certeza de que aquele jovem taverneiro é o personagem principal das mais diversas histórias que rondam a região: histórias de um notório mago, esmerado ladrão, amante viril, herói salvador, músico magistral e assassino infame. Aos poucos, a trajetória de Kote entre o passado e o presente é desenvolvida, e suas duas forças motivadoras se revelam.

O cronista deve receber a história de Kote em um dia, então não demoramos muito para embarcar na jornada de nosso protagonista. Apesar do autor ter criado um mundo fantástico, o protagonista é o cerne de O Nome do Vento. Ele é curioso e ambicioso, duas coisas que movem constantemente uma história, seja para um caminho bom ou ruim. Kote tem essa chama com ele, é humano, cheio de falhas, sarcástico, vingativo e não gosta de perder. É impossível não se identificar com pelo menos a perseverança que se manifesta no garoto, desde a infância até mesmo no calejado dono da estalagem.

Outra coisa que preciso destacar no trabalho do Rothfuss é sua linguagem musical, e quando falo isso não me refiro às letras das músicas, pois é algo que vem de muito antes na literatura fantástica. Tolkien fazia isso já. O que ele faz diferente e com excelência é transpor a música através dos sentimentos e reações do público. Kote é um músico, ele ganha dinheiro com as músicas dele e vê-lo se apresentar é um espetáculo fascinante. Eu fui arrastada pelas descrições de tom, de melodia, a forma como o corpo dele se move, o cenário fica diferente, chega a ser palpável o modo como a música é apresentada ao leitor. O Nome do Vento tem mil coisas significativamente impressionantes, mas nenhuma supera essa.

A Crônica do Matador do Rei é uma trilogia e já possui dois dos livros publicados, além de um spin-offA Música do Silêncio, que faz intermédio entre o segundo e o terceiro volumes, mas para a minha infelicidade, não temos ainda sinal de vida de um terceiro, apesar dele já ter título em inglês definido, Doors of Stone. Eu já concluí o segundo livro e pretendo resenhar em breve aqui, mas posso adiantar que não decepciona. Patrick mantêm um bom ritmo em sua escrita contando bastante sobre alquimia, sobre a universidade, coisas que em alguns momentos podem se tornar maçantes e afastar o leitor. Se for ler O Nome do Vento, persevere, pois essa é uma obra que tem uma experiência de leitura fantástica a oferecer.

Série A Crônica do Matador do Rei





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6 Respostas para "[Resenha] O Nome do Vento — Patrick Rothfuss"

Angela Cunha - 25, março 2020 às (07:51)

Impossível ter passado uma vida sem ter lido ou conhecer algum ponto de O Nome do Vento! Eu li esse livro e também O Temor do Sábio e tenha um extremo carinho por ambos.
Não é apenas uma fantasia, vai além. É se colocar no lugar de Kote, sem saber onde ele nos levará. E que viagem!
Um livro recomendado a todos os leitores!
Eu simplesmente amei!
Beijo

Anna Mendes - 25, março 2020 às (21:28)

Oi Fran!
Adorei essa resenha!
Eu já ouvi falar desse livro, mas faz muito tempo. Achei bem diferente essa premissa, principalmente por ser uma fantasia que se passa na era medieval. Fiquei curiosa para conhecer esse poder da escrita do autor. Parece ser uma leitura envolvente e instigante.
Bjos!

Elizete Silva - 25, março 2020 às (22:05)

Olá! Nossa só pela resenha já deu para perceber que essa é daquelas histórias incríveis, singular e que marca para sempre a vida do leitor. O gênero é um dos meus favoritos, por isso, fiquei encantada com tudo que li e sem dúvida na maior expectativa em me aventurar junto com nosso protagonista nessa aventura tão intensa e única.

Scheila - 30, março 2020 às (08:40)

Oi Fran!

Nunca tinha visto esse livro..
Mas achei a história incrível!
Porém, faz um tempão que não leio algo assim, um livro de fantasia.. Mas eu gosto de dar uma mudada sempre que possível.
Adorei sua resenha e por descobrir que existem muitos livros que eu ainda não conheço kk.

Beijos

Ana I. J. Mercury - 31, março 2020 às (19:57)

Oi, Francine
Nossa, sou louca para ler essa trilogia.
Na verdade, só ainda não comecei porque li tantos comentários de que é arrastada, daí desanimei.
Mas gostei muito da sua resenha, deu pra ver que é uma história intensa, e o protagonista nos conquista.
Assim que der, lerei.
bjs

ANA PAULA SANTOS MOREIRA - 31, março 2020 às (22:34)

O enredo da história não chama muito a minha atenção, mas as capas dessa série são lindíssimas, a editora caprichou e deixou muito chamativa.

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