[Resenha] 1943 - Luciana Klanovicz | Minha Vida Literária
21

fev
2018

[Resenha] 1943 – Luciana Klanovicz

Título: 1943
Autor: Luciana Klanovicz
Editora: Publicação Independente
Número de Páginas: 284
Ano de Publicação: 2017
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1943 é um romance de época que narra a trajetória de Maria, uma brasileira, filha de diplomatas, que se vê enredada numa trama de amor, espionagem, romance e desventuras no meio da França ocupada pelos nazistas. Maria tornou-se cantora em um bar, uma das poucas alternativas para permanecer viva em meio ao conflito mundial, onde conhece um matemático inglês, Phillip, sem saber que ele era espião. O relacionamento de ambos é vigiado pela inteligência nazista e, em meio a uma invasão alemã ao bar, Phillip foge enquanto Maria torna-se prisioneira de guerra, transferida para o sul da Alemanha. A beleza, a voz e a força de Maria são motivos para que um oficial do exército nazista apaixone-se profundamente por ela, entrando em conflito com sua ideologia. A partir daí a história é repleta de reviravoltas, enquanto Maria tenta sobreviver a uma guerra que parece não ter fim.

1943 é o romance nacional autopublicado em formato de eBook por Luciana Klanovickz, que, sendo também professora de História, reuniu sua paixão pela área à arte para dar vida à trajetória de Maria e Phillip em meio aos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial.

Filha de diplomatas brasileiros, Maria procura sobreviver durante o período de guerra ganhando a vida como cantora em um bar na França ocupada pelos alemães. É assim que ela conhece Phillip, professor e matemático inglês — ao menos, até onde ela sabe. Na realidade, seu amante é espião, o que coloca ambos diretamente sob as vistas dos nazistas. Durante uma invasão, Phillip foge enquanto Maria é levada como prisioneira. Em meio a reviravoltas e caminhos opostos, ambos tentarão não apenas salvar suas vidas, mas também encontrar meios de finalmente se reencontrarem.  

A verdade é que, ao mesmo tempo, tudo a sua volta lembrava música: o farfalhar das folhas roçando as árvores num balé cotidiano; os pássaros inundando seus ouvidos em melodias… tudo parecia levá–la de volta à música. No entanto, a música remetia à saudade e a Phillip. Doía–lhe, demais.

A narrativa de 1943 se dá em terceira pessoa, alternando-se de acordo com a perspectiva das diferentes personagens que fazem parte da trama, não simplesmente se atendo a de Maria e Phillip. Dessa maneira, é possível acompanhar, simultaneamente, diferentes facetas da mesma guerra, de acordo com o que cada um vivencia.

O que mais me agradou na leitura foi a forma de como a autora explorou os conflitos pessoais das personagens. A guerra coloca absolutamente tudo em perspectiva e em 1943 somos capazes de compreender as difíceis decisões muitas vezes tomadas quando a sobrevivência é o que fala mais alto. Assim, há um caráter sobretudo humano na história.

Ele bebia por ter sobrevivido e outros tantos terem sido mortos. Tantas casas destruídas, corpos putrefatos, campos de concentração, fuzilamentos, enforcamentos e humilhações de todo tipo. E ali estavam aquelas pessoas divertindo–se, rindo, flertando e bebendo. No fundo, ele as entendia. Todos pareciam compartilhar da vontade da dormência, de uma fuga daquela realidade opressora.

Também, o fato de Luciana ser historiadora contribui para que 1943 seja muito bem contextualizado. Entretanto, os fatos históricos, embora presentes, não são o centro do enredo e nem assumem um papel de destaque. Eles estão lá, fazendo parte da história e, muitas vezes, influenciando nos acontecimentos, mas sem serem centrais. O foco está na história vivida pelas personagens, ainda que em meio a um momento histórico. Dessa forma, atrocidades cometidas durante o conflito, por exemplo, estão presentes no enredo, mas não a ponto de sobrecarregá-lo ou tornar o livro pesado pela dificuldade do período.

Apesar de ter gostado da leitura e de não ter encontrado dificuldades em me envolver com a história, que pode ser lida rapidamente, não consegui realmente me conectar com as personagens e os eventos em um nível mais emocional e sensitivo. Isso porque a narrativa se dá sobretudo por um sumário narrativo em vez de cenas, o que, em uma rápida explicação, significa que os acontecimentos são principalmente contados em sequência em vez de demonstrados. Pude acompanhar a trama, mas não necessariamente senti o impacto que ela poderia ter me causado, ainda mais considerando a própria temática abordada. Os diálogos, também, em alguns momentos destoaram do restante da escrita por assumirem um tom mais artificial, o que não senti durante a narrativa em si.

De qualquer maneira, a história de 1943 é belíssima e capaz de encantar os românticos de plantão especialmente por trazer um amor tão forte em meio a suas páginas. E, como mencionado, o livro vai além, abordando as diferentes facetas de cada um de nós quando em meio às dificuldades, que nos forçam, muitas vezes, a agir e a descobrir reações que jamais imaginaríamos em outras circunstâncias.

 

Esta postagem é um publieditorial.





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7 Respostas para "[Resenha] 1943 – Luciana Klanovicz"

Gabriela Nunes dos Santos - 22, Fevereiro 2018 às (00:14)

A capa desse livro me lembrou muito a capa do filme musical “Chicago”, sabe?

kkk Mas óbvio que é bem diferente. Enfim, não sei se me animaria a ler. Acho que não é meu tipo de livro.

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Michelli Prado - 23, Fevereiro 2018 às (15:16)

Confesso que ainda não conhecia o livro, e já fiquei encantada com essa premissa da historia, por envolver o romance e o fato histórico, sem focar nem em um e nem no outro, mas abranger de uma forma bacana os dois. E por ser narrado intercalando os personagens que é um detalhe que me chama demais a atenção.Adorei saber um mais pouco mais sobre o livro ♥

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RUDYNALVA CORREIA SOARES - 23, Fevereiro 2018 às (21:22)

Aione!
Não conhecia o livro ainda, não vi resenha em lugar nenhum e achei ótimo a autora ser historiadora e aproveitar seus conhecimentos para trazer um livro com pano de fundo na segunda guerra, adoro!
Um maravilhoso final de semana!
“Acredite que você pode, assim você já está no meio do caminho.” (Theodore Roosevelt)
cheirinhos
Rudy

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Giuliana Santos - 26, Fevereiro 2018 às (10:28)

Geralmente livros que tem histórias de amor na guerra como enredo sao bem intensos e costumam ter sofrimento e sacrifício por parte dos personagens. Além disso faz com que nos coloquemos no lugar deles e pensemos o quão difícil seria tomar decisões, como você falou em nome da sobrevivência. Uma pena você ter ficado distante dos personagens pois acredito que isso pode ter atrapalhado que você sentisse na intensidade que a história requer. Bjs

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Luciana Klanovicz - 27, Fevereiro 2018 às (09:35)

Escrever esse livro foi uma forma de olhar mais de perto esse conflito mundial, quis manter a caneta livre para me colocar no lugar das personagens, e tentar dar o máximo de veracidade a elas. Quis saber como seria uma história de amor interrompida pela guerra. Quis saber como o amor poderia ser a única forma de se manter viva. Talvez minha formação acadêmica ainda me trave um pouco em relação aos sentimentos e a história pode prevalecer. Mas fico lisonjeada em saber que a humanidade das personagens ficou nítida para quem lê. Na minha história fui Maria muitas vezes, conheci homens desprezíveis como Robert, contidos como Phillip e intensos como Edgar. Agradeço a todos os comentários e as leituras que fizeram de meu livro – vejo todos como um aprendizado para livros futuros! Quem quiser entrar em contato ficarei muito feliz em conversar mais sobre o livro. Volte e meia ainda me pego falando sobre as personagens a cada novo documentário que assisto, livro acadêmico que leio, ou a cada museu que adentrava em Berlim. Fico aliviada por ter contado uma história ficcional verdadeira. <3

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Ana Carolina Venceslau Dos Santos - 27, Fevereiro 2018 às (17:27)

Eu adorei o livro Até porque eu adoro histórias que se passam durante a Segunda Guerra e pelo fato do livro ser um romance Nacional acho que isso me atraiu muito mais atenção eu só fiquei um pouquinho chateado por o livro não ter em formato físico já que eu tenho uma certa dificuldade em ler em e-book

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Ana I. J. Mercury - 28, Fevereiro 2018 às (15:35)

Não conhecia o livro, mas fiquei muito interessada.
Adoro livros sobre a segunda guerra mundial, por mais tristes e pesados que são, acho que a gente sempre aprende mais, principalmente a sermos gratos e a não deixarmos mais que todas aquelas atrocidades voltem a acontecer.
Gostei muito da sua resenha e da premissa de 1943, parece ser muito bom, ainda mais com romance, embora pelo jeito, não traga tanta emoção assim.
Vou querer ler em breve.
bjsss

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