[Resenha] Lugar Feliz — Emily Henry - Minha Vida Literária
Minha Vida Literária
20

set
2023

[Resenha] Lugar Feliz — Emily Henry

Harriet e Wyn são o casal dos sonhos desde a faculdade — eles sempre foram perfeitos juntos, como sal e pimenta, mel e chá, queijo e goia­bada. Só que agora — por razões sobre as quais não conversam — eles não combinam mais.
Faz cinco meses que Harriet e Wyn terminaram, e ainda não contaram aos seus melhores amigos.
Assim, continuam dividindo o maior quarto da casa no Maine onde sua turma de amigos passa férias há uma década. Todo ano, por uma semana vibrante e colorida, eles dão uma pausa na rotina e vão beber vinho, se empanturrar de queijo e frutos do mar e curtir a praia com as suas pessoas favoritas.
Só que este ano Harriet e Wyn estão mentindo na cara dura enquanto tentam disfarçar que ainda se querem desesperadamente. Porque a casa no Maine está à venda, e esta é a última semana que os amigos terão para ficar juntos no paraíso. Harriet e Wyn não querem estra­gar as férias, então fingem que está tudo bem. Ela vai continuar sendo a médica-residente motivada que jamais começa uma briga, e ele, o cara charmoso e descontraído que nunca deixa transparecer os problemas.
É um plano infalível — se você olhar bem de lon­ge e com óculos de sol com manchas de protetor solar nas lentes. Depois de anos apaixonados, não deve ser tão difícil fingir por apenas uma semana, na frente das pessoas que conhecem os dois como ninguém… certo?

 

Ficha Técnica: Lugar Feliz

Título: Lugar Feliz
Título original: Happy Place
Autor: Emily Henry
Tradução: Ana Rodrigues
Editora: Verus
Número de Páginas: 420
Ano de Publicação: 2023
Skoob: Adicione
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Lugar feliz é o mais recente lançamento de Emily Henry. Traduzido por Ana Rodrigues e publicado pela editora Verus, era o único da autora lançado no Brasil que eu ainda não tinha lido e — fundamentaria minha opinião sobre a obra dela.

Harriet e Wyn, antes de serem o casal perfeito desde a época da faculdade, são amigos. Parte de um grupo inseparável originado pelo trio de amigas Harriet, Cleo e Sabrina, estão juntos há anos… Ou ao menos, é o que todo mundo pensa. Na realidade, o casal se separou há alguns meses, mas não contou para ninguém sobre o término. Agora, quando se reencontram na casa da família de Sabrina no Maine, local que tem sido o destino de férias do grupo em toda última década, são obrigados a fingir que ainda estão juntos, a fim de não estragar o clima da viagem — a casa está à venda e será a última vez que poderão viajar para lá. 

A narrativa de Lugar feliz se dá em primeira pessoa pela perspectiva de Harriet, alternando capítulos no presente da história com flashbacks do passado, reconstruindo não apenas a relação dela com Wyn, mas também a amizade com Cleo e Sabrina, sua jornada profissional e seu contexto familiar. Aqui, embora ainda haja diálogos cativantes e espirituosos — o ponto alto da escrita de Emily Henry nesse livro — que dão um ótimo ritmo narrativo, a escrita da autora é menos divertida e mais melancólica, o que tem muito a ver com a temática abordada na obra: não só a protagonista está o tempo todo encarando o fim de sua relação e seus sentimentos que ainda vêm à tona, mas o fim de uma era, dado pela venda da casa no Maine e pelas transformações na vida das amigas.

Aliás, são os temas que eclodem na segunda metade do livro os responsáveis por Lugar feliz ter me proporcionado uma leitura positiva. Assim como em Loucos por livros, um dos temas principais é o quanto as relações — amorosas, familiares, de amizade — se transformam ao longo do tempo, tanto porque as pessoas mudam quanto porque mudam os contextos em que vivem, de maneira que adaptações — nem sempre fáceis de se aceitar — se fazem urgentes. Além disso, Emily Henry novamente demonstra o quanto uma relação amorosa não é fácil, e nem ao menos se mantém exclusivamente pelo sentimento de amor: há outras condições que impactam na decisão de duas pessoas ficarem, e permanecerem, juntas. Também, o livro é muito feliz em demonstrar a complexidade das dinâmicas familiares, e o quanto são responsáveis por impactar cada pessoa, sendo marcadas por sentimentos tão controversos entre si. No geral, o livro conversou bastante comigo por abordar uma fase da vida com a qual me identifico, representando muito bem a minha geração de adultos próximos aos 30 e poucos anos. O peso de nossas escolhas e responsabilidades com que devemos arcar, somadas às nossas inseguranças e traumas, permeiam toda a trama e são o ponto forte do livro.

Contudo, a primeira metade de Lugar feliz me deixou bastante incerta se a leitura seria para mim. Se a segunda metade da história soa real e verdadeira, a primeira em nada me convenceu. Tive a sensação de que Emily Henry queria abordar determinados temas e circunstâncias, mas não sabia como incluí-los em um plot inicial. As situações pareceram forçadas, como se pensadas para caber em determinadas exigências do gênero, e isso prejudicou bastante minha experiência de leitura. 

Dessa maneira, Lugar feliz tinha potencial para ser meu livro favorito de Emily Henry não fosse seu início. Considerando-se, também, que gostei de suas outras obras, mas não fiquei deslumbrada por nenhuma, posso afirmar, agora, que minha experiência foi bastante aquém do hype que tem se construído ao redor dela. Gostei, mas não amei, e tenho minhas dúvidas se continuarei a ler suas futuras publicações. Ainda assim, quem gosta de romances leves, que mesclam bom-humor com temas mais sensíveis, vale conhecer e tirar suas próprias conclusões.





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