[Resenha] Nunca vi a chuva — Stefano Volp - Minha Vida Literária
Minha Vida Literária
12

jul
2022

[Resenha] Nunca vi a chuva — Stefano Volp

Lucas foi adotado por uma família rica e apesar de ter uma vida aparentemente perfeita, ele teria se jogado de um prédio, não fosse a mensagem recebida naquele exato instante: o canal de vídeos do gêmeo idêntico que ele simplesmente não conhecia.
Depressivo e ainda desmotivado a viver, Lucas decide viajar para o interior do Rio de Janeiro atrás de Rafael e acaba vivenciando o início de uma amizade que poderá mudar sua vida para sempre.

 

FICHA TÉCNICA

Título: Nunca Vi A Chuva
Autor: Stefano Volp
Editora: Publicação Independente
Número de Páginas: 190
Ano de Publicação (nova edição): 2021
Skoob: Adicione
Compre: Amazon

 

RESENHA: Nunca Vi A Chuva

Nunca vi a chuva é a obra de estreia de Stefano Volp. Publicado pela primeira vez em formato físico pelo editorial Hope, em 2017, e assinado por Stefano Sant’anna, ganhou outras duas edições em eBook pela Amazon, sendo a mais recente de 2021, já com o atual pseudônimo do autor.

Lucas foi adotado por uma família rica. Lidando com a depressão e um vazio constante, o jovem de 19 anos convive com os próprios fantasmas e uma vida sem sentido. Depois de cogitar cometer suicídio, Lucas descobre na internet que tem um irmão gêmeo. Ao viajar para o Rio de Janeiro para encontrá-lo, sua vida se transforma de formas que ele jamais teria suposto.

A narrativa de Nunca vi a chuva se dá em formato de escrita em diário, o que Lucas começa a fazer por recomendação de sua psicóloga. Pelo tom confessional e emocional, é muito fácil se aproximar do que há de mais íntimo nele, e é aqui que reside, sobretudo, a força da história. Além da sensibilidade da escrita de Stefano Volp, o autor foi muito corajoso em construir um protagonista tão real e sincero, com defeitos e imperfeições abertamente demonstrados. É bonito, sim, acompanhar o processo de amadurecimento e transformação de Lucas, mas me conectei principalmente com a verdade de suas emoções.

Nunca vi a chuva se desenvolve em uma narrativa rápida, típica de uma novela. Além das questões emocionais de Lucas, o autor trabalha muito bem o desenvolvimento em si do enredo, guardando segredos e reviravoltas a respeito do passado dos gêmeos, que são habilmente inseridas em momentos chave. Vemos as pistas pouco a pouco sendo dadas, e ficamos com a curiosidade ativa pelas revelações. Assim, além dos pontos reflexivos, a história funciona muito bem como narrativa, em uma estrutura que nos cativa.

Também me agradou muito o desenvolvimento das personagens como um todo, especialmente no que se refere aos núcleos familiares. Nunca vi a chuva, apesar de conter algumas passagens dolorosas, conta com um contexto familiar acolhedor, pelo qual foi muito fácil me encantar. Há, ainda, uma nítida contraposição entre Rafael e Lucas, e é muito bonito como cada um agrega na vida do outro, sendo ferramentas de transformação. Lucas enxerga em Rafael uma figura inspiradora, uma leitura que pode ser questionada em se tratando de pessoas com deficiência. Porém, como mencionado, a construção do protagonista não é a de um personagem perfeito ou idealizado.

Li Nunca vi a chuva em poucas horas e, a cada página, me encantei pelo trabalho de Stefano Volp, sobretudo por essa ser sua obra de estreia. O texto transborda sensibilidade, e a crueza das emoções de Lucas passa verdade no que está sendo dito. Acima de tudo, esse é um livro sobre a possibilidade de transformação que há na arte de viver, e o quão intensa ela pode ser quando estamos abertos às mudanças. Felicidade e tristeza coexistem na leitura, exatamente como na vida, nos lembrando de que absolutamente tudo é cíclico e passageiro.





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