
Hoje começo a postar aqui no blog o #MeusQuarentextos, projeto parte dos #EscritosDaAione, publicado originalmente no Instagram em uma série de seis posts, a começar por esse de abertura, reunindo textos curtos sobre o período de quarentena. Espero que vocês gostem!
#MeusQuarentextos
Introdução
Se qualquer pessoa dissesse que ficaríamos mais de um ano trancafiados por causa de um vírus, eu teria rido. Costumo encarar minha vida como uma comédia romântica; às vezes meio dramática, porque sou dessas que se deixa levar pelas emoções. Mas uma ficção científica distópica certamente não estava em meus planos.
Bom, mas a vida não é um constante lembrar de que não temos controle de nada?
Já são mais de 15 meses do inimaginável. Mais de uma vez me perguntaram se, como escritora, eu falaria sobre a pandemia, talvez como um registro. Até então, exceto por um ou outro desabafo, não tinha conseguido colocar nada no papel, porque precisei de certo distanciamento para digerir as emoções, tentando processá-las em algo — o que ainda me parece quase impossível. Como racionalizar o incompreensível? Em algum momento será possível traçar contornos nítidos no agora?
Mas pela primeira vez meus sentimentos me soaram mais concretos, mais próximos de serem capturados em palavras — nem que seja para expressar o quanto continuam confusos, temerosos e assombrados.
Ao longo dos próximos dias, compartilharei com vocês um pouco do que vem circulando em mim, passando por temas diversos dentro do momento de pandemia do Coronavírus no Brasil de Bolsonaro, da perspectiva de quem vive o isolamento nas melhores condições possíveis — porque é importante situar de onde falo. Escrevo da posição de quem não perdeu ninguém próximo e que se pergunta, a cada dia, se continuará tendo a mesma sorte. Me imagino constantemente desviando de flechas atiradas sem piedade, com a pressão mental crescendo com o passar do tempo e a exaustão cada vez mais evidente — mas ainda assim me movimentando, ciente de que a alternativa é ser atingida. E aí, não há como saber se a flecha passará de raspão pelo braço ou se acertará o meio do peito.
Assim, este é o 1° dos #MeusQuarentextos, série dos #EscritosDaAione sobre a quarentena formada por mais outros 5 textos. A literatura é um dos meios de conexão mais importantes da minha vida e se faz de novo imprescindível agora, privados da proximidade que nos lembra de que “tudo que nós têm é nós”, sabiamente dito por Emicida na música que ouço como uma oração.
A pandemia nos resgatou e ao mesmo tempo, nos jogou em um mar de lama e destruição. Conhecemos o lado bom do ser humano, mas também tivemos e temos que lutar com o lado ruim de muitas pessoas e isso dói.
Eu vou amar acompanhar a autora, a mulher, a trancafiada!!!!
E senti cada letrinha, como se fôsse minha!
Beijo