[Resenha] Tudo Aquilo Que Eu Não Disse — Kathryn Hughes - Minha Vida Literária
Minha Vida Literária
01

jun
2021

[Resenha] Tudo Aquilo Que Eu Não Disse — Kathryn Hughes

A vida da doce Tina Craig parece estar destinada a mesmice dos anos 70: ela vive presa em um casamento infeliz com um marido problemático. Isso desafia Tina a unir todas as suas forças para sair desse abismo e finalmente conquistar a paz de espírito que ela tanto quer. Seu destino toma um rumo diferente quando ela encontra uma carta escrita em setembro de 1939. A carta, que nunca chegou ao destino certo, lhe traz uma nova esperança, um alento para o seu coração tão maltratado. Tudo muda de figura quando a vida de Tina se choca com os destinos do casal Billy e Chrissie, trazendo William, um jovem em busca de sua mãe biológica, para sua jornada por conta de um mero acaso.

 

FICHA TÉCNICA

Título: Tudo Aquilo Que Eu Não Disse
Título original: The Letter
Autor: Kathryn Hughes
Tradução: Marcia Blasques
Editora: Astral Cultural
Número de Páginas: 352
Ano de Publicação: 2018
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RESENHA: Tudo Aquilo Que Eu Não Disse

Tudo Aquilo Que Eu Não Disse é o romance histórico de Kathryn Hughes que passeia por diferentes linhas temporais, desenvolvendo uma história repleta de emoções. Originalmente publicado em 2013, foi editado pela Astral Cultural e lançado no Brasil em 2018, com tradução de Marcia Blasques.

Em 1973, Tina vive um casamento abusivo e violento, buscando maneiras de deixar o marido em prol de sua sobrevivência. Um dia, ela encontra por acaso uma carta antiga, fechada e nunca enviada. Curiosa, Tina a abre e lê. Comovida pelas palavras, passa a procurar o remetente e destinatário, sentindo que aquela carta precisaria ser entregue. No ano de 1939, Chrissie conheceu Billy e se apaixonou perdidamente. Contudo, a relação não era bem vista por seus pais, extremamente conservadores, e o rumo dos acontecimentos é afetado tanto por essa hostilidade quanto pelo iminente início da Segunda Guerra Mundial.

Iniciei a leitura ciente da conexão entre as duas linhas temporais e que teria em mãos um romance com potencial emocionante. Entretanto, não esperava que a primeira metade da história seria angustiante como foi, ou que retrataria um casamento abusivo. Por isso, fica o alerta de gatilhos para violência contra a mulher. Apesar da leitura ter sido mais pesada do que eu esperava nesse início, gostei bastante de como Kathryn Hughes retratou os problemas de gênero, principalmente pela complexidade emocional carregada por Tina. Para além da sofrida no casamento, a violência contra as mulheres aparece de diferentes maneiras em ambas linhas temporais, demonstrando a (o)pressão social e os papéis exigidos.

A partir da segunda metade, Tudo Aquilo Que Eu Não Disse se suaviza, entregando um bonito e leve romance, com direito à cura de feridas antigas. Se na primeira parte as personagens passam por duras provações, é na segunda que são recompensadas — ainda que por meios agridoces. Adorei como a autora conectou as linhas temporais e, principalmente, a interconexão entre Tina e Chrissie: o futuro de Tina foi proporcionado pelo passado de Chrissie; ao mesmo tempo, é a condição pesarosa de Tina no presente que proporciona o futuro de Chrissie.

Em relação ao cenário histórico, ele mais contextualiza os eventos e dita os impactos na vida das personagens, uma vez que são conduzidas de acordo com as regras morais das épocas, do que é detalhado. Os meses que antecipam a Segunda Guerra, por exemplo, narram alguns dos eventos e a atmosfera de tensão à época, mas não há uma abordagem do conflito após ser iniciado e nem uma dissecação maior dos fatos: o interesse está em focar na vida particular dos protagonistas.

Tudo Aquilo Que Eu Não Disse me proporcionou uma leitura envolvente através da escrita sensível de Kathryn Hughes. Apesar dos momentos de angústia próprios do enredo, a história como um todo é bastante bonita e emocionante, trazendo o quanto nossas vidas podem ser impactadas não apenas pelas escolhas que fazemos, mas pelas decisões tomadas por nós — e o quanto determinados encontros são capazes de nos marcar por anos a fio.





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