[Resenha] O Que Encontramos Nas Chamas — Mayra Sigwalt - Minha Vida Literária
Minha Vida Literária
04

maio
2021

[Resenha] O Que Encontramos Nas Chamas — Mayra Sigwalt

Afastada dos tios desde a infância, Camila precisa voltar à casa vazia deles para procurar um álbum de fotografias a pedido da mãe, que está no leito de morte. Angustiada, ela atravessa a casa e a cada porta aberta é lembrada dos momentos alegres e dos pesadelos que viveu naquele lugar.

 

FICHA TÉCNICA

Título: O Que Encontramos Nas Chamas
Autor: Mayra Sigwalt
Editora: Publicação Independente
Número de Páginas: 94
Ano de Publicação: 2020
Skoob: Adicione
Compre: Amazon

 
 
 

RESENHA: O Que Encontramos Nas Chamas

O Que Encontramos Nas Chamas é o primeiro trabalho solo de Mayra Sigwalt, que também assina um conto na antologia Aqui quem fala é da Terra. A novela, publicada de maneira independente na plataforma KDP/Amazon, cumpre com louvor seu papel em menos de 100 páginas.

Camila viveu um período de sua infância na casa dos tios. Adulta, retorna ao local, hoje vazio, em busca de um álbum de fotos à pedido da mãe. Durante seu curto período na casa, ela é invadida pelas memórias — e fantasmas — de sua época ali.

Mayra Sigwalt conquista o leitor desde as primeiras páginas por sua grande capacidade de envolvimento. A cada passo de Camila, somos transportados, junto dela, para os ambientes visitados, enxergando cada cenário e sentindo suas emoções. Além disso, o suspense e a tensão que permeiam a narrativa nos impulsionam ao longo do enredo, ansiosos e curiosos por desvendá-lo. Algo que gostei muito foi como a autora trabalhou as alternâncias temporais por meio de frases ao final de um capítulo que se completam no início do subsequente, passando a exata sensação de Camila imergindo em suas memórias.

Como o próprio aviso de gatilho ao início de O Que Encontramos Nas Chamas indica, seu tema central é a violência sexual e as consequências deixadas nas vítimas. Mayra é extremamente sensível em desenvolver a questão, fazendo uso de toques de fantasia e metáforas. Além de evitar uma exposição desnecessária, que poderia ferir leitores vítimas das mesmas circunstâncias ou sensíveis ao tema, torna a história ainda mais impactante pela bela forma — ainda que dolorosa — de como tudo é descrito. Também, a autora é habilidosa em demonstrar o quanto as feridas psicológicas permanecem ao longo do tempo e o quanto impactam a vivência das vítimas. A personagem é, sem dúvidas, uma sobrevivente, mas não há glamour algum ou romantização de sua condição, deixando-se no ar a pergunta do quanto é possível, de fato, superar uma violência como essa.

Para além da narrativa e das temáticas, as personagens são bem desenvolvidas e cativantes, dentro de suas funções na história. A relação de amizade entre Camila e Michele é doce, o que traz leveza e ternura à narrativa. Também, adorei como Mayra trouxe os indícios da primeira paixão entre ambas, tão característico dos amores nessa fase da vida. A relação de Camila com os pais é outra fonte de afeto, mesmo que se dê por meio de lembranças ou pelo contato telefônico, já que nenhum dos dois realmente aparece na trama. Como Camila — assim como Mayra — descende de povos indígenas, a ancestralidade aparece de forma muito bonita em O Que Encontramos Nas Chamas, que também aborda sutilmente questões ligadas aos diferentes tipos de racismo.

Em linhas gerais, O Que Encontramos Nas Chamas foi uma leitura que me emocionou por seu conteúdo e me encantou pela forma. A história é poderosa e impactante, e certamente nos deixa querendo conhecer ainda outras facetas de Mayra Sigwalt como escritora, que também é booktuber no All About That Book.





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