[Resenha] Trocas Macabras - Stephen King | Minha Vida Literária
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12

jan
2021

[Resenha] Trocas Macabras – Stephen King

Castle Rock, na Nova Inglaterra, é um lugar tranquilo para se viver. Mas a chegada de Leland Gaunt desestabiliza a cidade através do preconceito, ódio, fraqueza e cobiça, provocando mortes e sofrimentos. Gaunt consegue isto através de uma loja de utilidades, que sempre tem algo especial para cada morador, que para conseguirem o que desejam pagam um preço simbólico para Leland, além de conceder a ele um simples “favor”.

 

Ficha Técnica

Título: Trocas Macabras
Título original: Needful Things
Autor: Stephen King
Tradução: Regiane Winarski
Editora: Suma
Número de Páginas: 656
Ano de Publicação: 2020
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Resenha: Trocas Macabras

Trocas Macabras foi lançado em 1991, quando Stephen King garantiu ser a última história a se passar em Castle Rock, cidade fictícia no Maine que ambienta diversas obras do autor. Apesar da promessa não ter se cumprido — visto que ele publicou outras coisas dentro desse cenário —, o livro que eviscera a mente humana foi considerado um marco para os fãs do autor.

Leland Gaunt, um forasteiro misterioso, decide abrir a lojinha “Artigos Indispensáveis” em Castle Rock. A pergunta inserida no círculo social da cidade é: afinal, o que ela vende? Bom, podemos concluir que tudo o que você mais deseja. Mesmo quando se trata de uma luxúria inútil no ponto de vista de outras pessoas, está lá, em suas prateleiras, sem qualquer preço. Afinal, para Gaunt, a negociação é a melhor parte de ser um vendedor, principalmente quando o verdadeiro valor está intrincado em um simples “favor”. Alan Pangborn, um policial que perdeu a família, e Polly Chalmers, uma costureira que sofre com artrite, trabalham juntos para entender o que está acontecendo na cidade, enquanto suas questões existenciais voltam ainda com mais força, seja em pesadelos ou na própria dor da realidade.

Trazido primeiramente nas linhas do clássico Fausto de Goethe — a inspiração para Stephen King é clara em sua sinopse —, Trocas Macabras trabalha o pacto com o diabo, impondo reflexões sobre o valor do que se deseja e a importância de sua alma. Se pudesse catalogar esse livro em uma única palavra seria: luxúria. Isso pelo fato de que a cidade de Castle Rock e seus habitantes nunca foram de fato amigáveis uns com os outros, raro quem não guardava rancor, e trazem nessas características a possibilidade do demônio Gaunt explorar seus desejos mais sinistros.

A confusão e o pânico instaurados em suas páginas permitem uma leitura voraz e angustiante. Muitas das vezes, a forma bruta como King descreve as cenas violentas me fizeram pensar em até onde o ser humano vai quando perde o filtro da civilidade. Bom, esse é de longe um livro perigoso para leitores sensíveis, fato que se vê nos diferentes gatilhos que encontrei ao longo da leitura. A violência, por si só, explora o medo dentro da mente humana e isso se revela de muitas formas em Trocas Macabras. Acredito que o leitor que adquirir o livro precisa estar preparado para ser marcado por suas páginas. Eu mesma cheguei ao final chocada.

King sempre aborda temas difíceis e traz personagens capazes de lutar contra um mal que fica entre o sobrenatural e o real. Gaunt é o vilão central, mas cabe ao leitor perceber quantos antagonistas existem dentro de uma comunidade e que, muitas vezes, se inserem em nossa mente sem que a gente perceba de fato. Inicialmente, achei que seria uma leitura pouco compensadora, visto que o autor traz fatos irrelevantes, nomes e histórias que não são exploradas em momento algum. King já é conhecido por ser prolixo e claro que eu estava ciente quando fui soterrada de informações; contudo, chegar ao confronto final e ver a centelha de esperança que surgiu naquela cidade fez tudo valer a pena. O mundo não parece tão perdido quanto foi no início.

Considerando o quanto Alan Pangborn e Polly Chalmers cresceram em seu protagonismo, na forma doce com que se tratam e a preocupação com os habitantes de Castle Rock, resistindo às investidas malévolas de Gaunt, me fez querer guardá-los em um potinho para sempre. São duas figuras que me apeguei muito e torci por um final feliz. Acredito que ambos, entre as obras do King, são os meus personagens favoritos.

Para concluir, aponto um fato importante trazido por King em Trocas Macabras, que é o armamento. O autor nos conduz a refletir sobre o que aconteceria se uma cidade com porte legal de armas fosse manipulada por pensamentos mesquinhos e cruéis, capazes de levar a uma chacina descontrolada. Apesar de ser uma obra de horror sobrenatural, essa é uma crítica social com destaque gritante, o que me faz recomendar muito Trocas Macabras.

Caso queira se aprofundar nesse enredo, mas não tenha tanta vontade de fazer a leitura, o livro foi adaptado em um filme de mesmo nome em 1993. Contudo, sigo recomendando que compre Trocas Macabras e leia essa obra de arte do gênero sobrenatural.





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2 Respostas para "[Resenha] Trocas Macabras – Stephen King"

RUDYNALVA CORREIA SOARES - 12, janeiro 2021 às (23:50)

Francine!
Não sei estaria dispota a qualquer coisa para conseguir o que quero…
King é sempre uma boa pedida, ainda mais quando é um livro mais psicológico com uma pitada de sobrenatural.
Mesmo grande e com algumas partes que poderiam ser suprimidas, sempre vale a pena.
cheirinhos
Rudy

Angela Cunha - 13, janeiro 2021 às (07:10)

Eu dou um risinho meio de lado quando classificam King como o Mestre do Terror.
Pra mim, ele é o mestre da mente humana, mestre em trazer a maldade humana! E eu amo muito tudo isso!
Doidinha para ler esse calhamaço e mais uma vez, me surpreender com esse enredo fantástico. Outro ponto que gosto muito é o autor sempre intercalar cidades ou mesmo, personagens!!!
Quero muito ler!!!
Beijo

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