[Resenha] Teoricamente Princesa — Alyssa Cole | Minha Vida Literária
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20

out
2020

[Resenha] Teoricamente Princesa — Alyssa Cole

Dividida entre a pós-graduação e os vários empregos, Naledi Smith não tem tempo para contos de fadas… Ou paciência para os e-mails constantes alegando que ela está noiva de um príncipe africano. Certo. Ok. Excluir! Filha adotiva, ela aprendeu que as únicas coisas em que pode confiar são ela mesma e o método científico, e um e-mail idiota não a convencerá do contrário.
O príncipe Thabiso é o único herdeiro do trono de Thesolo, concentrando as expectativas de seus pais e seu povo. Seu casamento está no topo da lista de prioridades do reino. Sempre obediente, ele localiza sua noiva desaparecida. Quando Naledi confunde o príncipe com um plebeu qualquer, Thabiso não resiste à chance de experimentar a vida – e o amor – sem o peso de sua coroa.
A química entre eles é instantânea e irresistível, e a amizade sedutora rapidamente se transforma em noites apaixonadas. Mas quando a verdade é revelada, uma suposta princesa pode se tornar uma princesa para sempre?

 

Ficha Técnica

Título: Teoricamente Princesa
Título original: A Princess in Theory
Autor: Alyssa Cole
Tradução: Fernanda Cosenza
Editora: Essência
Número de Páginas: 304
Ano de Publicação: 2020
Skoob: Adicione
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Resenha: Teoricamente Princesa

Teoricamente Princesa é o primeiro livro da série Reluctant Royals de romance contemporâneo de Alyssa Cole, na qual cada volume traz uma história independente, com os diferentes personagens tendo participações ao longo dos livros. Nos EUA, há três romances e duas novelas publicadas até o momento.

Naledi Smith trabalha duro para manter sua vida e seguir com sua carreira na área científica. Dividida entre a pós-graduação e um trabalho como garçonete, ela não tem muito tempo livre — ainda mais para dar atenção aos emails de spam que vem recebendo informando que ela é uma princesa, noiva de um príncipe de um país na África. O príncipe Thabiso, por sua vez, precisa encontrar sua esposa o quanto antes, por pressão do povo de Thesolo. Quando ele resolve ir até Nova York em busca de Naledi, ela o confunde com um plebeu. Ele, tendo pela primeira vez a chance de ser conhecido como um homem sem o peso de seu título, resolve embarcar na mentira para tentar conquistá-la.

Teoricamente Princesa me fisgou desde as primeiras páginas por conta da escrita leve e divertida de Alyssa Cole. Em terceira pessoa, a narrativa se alterna entre as perspectivas de Naledi e Thabiso, permitindo que o leitor contraste os pensamentos e sentimentos de um e de outro. Foi ótimo ver como a voz de cada um está presente em suas narrativas: a de Naledi, recheada de referências científicas, ligadas ao seu dia a dia; a de Thabiso, com um claro tom de arrogância, típica de quem ocupa uma alta posição de poder, tendo sido servido por toda a vida. Além disso, as trocas de mensagens, repletas de emojis, além dos próprios emails, dão um tom ainda mais gostoso para a narrativa. 

A construção dos personagens — e da trama como um todo — é um dos trunfos de Alyssa Cole. A autora insere com muita habilidade detalhes ao longo do enredo que fazem dele mais crível e concreto, sem perder o tom de leveza da história. Thabiso, mesmo com seu tom arrogante, é um bom homem, apesar da mentira que conta para Naledi. A autora soube como mostrá-lo como alguém de fato preocupado com seu povo e que, ainda assim, cresce ao longo da história ao encarnar um papel de plebeu, vivendo uma vida que nunca foi sua. Naledi, por conta de toda sua infância, é uma mulher marcada pela insegurança e pela rejeição, reforçadas em sua rotina no laboratório, onde é sempre rebaixada por um colega homem — o que demonstra muito bem várias situações de machismo no ambiente de trabalho, ainda mais em áreas nas quais ainda há um predomínio de atuação masculina — e por sua própria melhor amiga, cuja relação com Naledi é um tanto quanto controversa. Aqui, apesar do incômodo que senti por essa amizade, gostei de como Alyssa Cole mostrou o lado conflituoso que pode existir entre amigos.

Mesmo a história sendo ágil, permite um envolvimento com o casal de maneira que o surgimento da paixão não apenas convença como também nos faça torcer por eles, ansiosos por cada desdobramento. As cenas sensuais foram bem colocadas, tornando a relação entre os dois mais apaixonante. O romance me conquistou em Teoricamente Princesa, assim como seu desenvolvimento como um todo, além das temáticas presentes na história. Há um caráter inegavelmente político na obra, mesmo que não aprofundado ou a ponto de ser o centro do enredo. Thesolo é um país que resistiu à colonização, o que dá uma força muito grande para o livro — poderoso por si só por ser um conto de fadas moderno protagonizado por personagens negros. Ainda, há diversidade entre os personagens — seja pela assistente de Thabiso, que é LGBT, ou pela irmã da melhor amiga de Naledi, que é uma pessoa com deficiência. Os próprios conflitos políticos presentes na trama, defendidos por Thabiso, são uma representação da política mundial sob a lógica capitalista, na qual o interesse pelo lucro leva à exploração em diversos âmbitos e, também, à exacerbação da desigualdade social, sentida por Thabiso enquanto ele se finge de plebeu. Por fim, as próprias dificuldades que Naledi encontra pela falta de incentivo à Ciência são um retrato de problemas que encontramos atualmente. Aliás, Teoricamente Princesa deixa clara a importância de epidemiologistas, como Naledi, o que conversa conosco especialmente agora, durante o momento de pandemia de Covid-19.

Em linhas gerais, adorei Teoricamente Princesa por ter sido uma leitura que me entregou um pouco de tudo: cenário político-social, protagonismo negro e, principalmente, um romance fofo e gostoso de se ler. Leitura ideal para quem procura um bom envolvimento, temperado com toques de temáticas mais do que relevantes.

 

Série Reluctant Royals

Romances

 

Novelas

Obs: As novelas estão situadas entre os volumes A Duke By Default (#2) e A Prince On Paper (#3) da série.

 

 





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6 Respostas para "[Resenha] Teoricamente Princesa — Alyssa Cole"

RUDYNALVA CORREIA SOARES - 21, outubro 2020 às (00:41)

Aione!
Tão bom poder ler um romance que não tem nada de superficial e que aborda outros temas relevantes para o momento em que passamos tanto social, quanto político.
Amei saber que tem diversidade, a representatividade é iportante em todos os sentidos.
Deve ser uma leitura interessante em várioas aspectos.
cheirinhos
Rudy

Angela Cunha - 21, outubro 2020 às (07:19)

Um dos livros com a capa mais linda que vi nesse ano! Seja por ser um conto de fadas moderno,mas por trazer representatividade. Antes, a gente mal tinha contato com essa palavra e hoje, ansiamos por ela a todo momento!
Espero de coração, ter esse livro lindo em mãos e ficar na torcida pelo casal também.
Ah, amei saber que é uma série e vamos torcer para que todos venham assim, pra cá, com capas tão lindas!!!!
Beijo

Scheila - 21, outubro 2020 às (08:49)

Oii, Aione!
Ahhhh eu já me apaixonei loucamente por esse livro, é o mais desejado no momento por mim. Desde que você lançou o sorteio desse livro lá no instagram (que eu não ganhei )= kk) e contou que estava fazendo a leitura em conjunto, eu já fiquei mega curiosa para ler a resenha e ter esse livro.
Amei saber cada detalhe, é bem como eu imaginei, um romance delicioso de ler, envolvendo temas importantes. E ser com personagens negros me deixou mega feliz, adoro essa diversidade.
Quero muito e quero que lance logo no Brasil o restante dos livros.. Mesmo sendo independentes, quero ler todos kk.
Amei demais!

Beijos!

Anna Mendes - 21, outubro 2020 às (16:05)

Oi Aione!
Eu estava com muita vontade de saber mais sobre esse livro! Não sabia que era o primeiro volume de uma série.
Pela premissa, parece uma história com um toque de sessão da tarde: um romance bem leve e gostoso de ler.
Adoro quando os pontos de vista são intercalados entre os protagonistas, então isso já é um ponto positivo.
Fiquei curiosa para saber como a autora inseriu e trabalhou essas temáticas que você comentou na trama, como o machismo, as questões políticas e os aspectos sociais. Aliás, muito legal a história ser protagonizada por um casal negro.
Já vou colocá-lo na minha lista de desejados! 🙂
Bjos!

Eliane - 25, outubro 2020 às (22:39)

Primeiramente quero dizer que a capa é lindissima
E amei saber que os protagonistas sáo negros .está mais do que na hora de termos mais romances assim
Mas como voce resenhou o romance traz outras questoes como o fato de ainda ter precoceito contra mulheres em determinada profissáo .
Sem duvida que desejo ler

Ana I. J. Mercury - 31, outubro 2020 às (21:20)

Oi, Aione
Adoroooo livros com realeza, e esse parece dos bons.
Que representativo. Um romance muito interessante mesmo.
Acho que vou curtir muito, parece ser bem completo.
Bjs

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