[Resenha] A Prisioneira do Tempo — Kate Morton | Minha Vida Literária
12

Maio
2020

[Resenha] A Prisioneira do Tempo — Kate Morton

A Prisioneira do Tempo — Kate Morton

Título: A Prisioneira do Tempo
Título original: The Clockmaker’s Daughter
Autor: Kate Morton
Tradução: Rachel Agavino
Editora: Arqueiro
Número de Páginas: 448
Ano de Publicação: 2020
Skoob: Adicione
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No verão de 1862, um grupo de jovens artistas liderado pelo talentoso e passional Edward Radcliffe segue para Birchwood Manor, uma bela casa de campo às margens do rio Tâmisa. O plano é passarem um mês isolados em uma aura de inspiração e criatividade. No entanto, ao fim do verão, uma mulher está morta e outra desaparecida, uma herança inestimável se perdeu, e a vida de Edward está arruinada.
Mais de 150 anos depois, Elodie Winslow, uma arquivista de Londres, descobre uma bolsa de couro contendo dois itens aparentemente sem conexão: a fotografia de uma mulher de aparência impressionante, vestida em roupas vitorianas, e o caderno de desenho de um artista, que inclui o rascunho de uma grande casa à beira de um rio.
Por que Birchwood Manor parece tão familiar a Elodie? E quem é a linda mulher na fotografia? Será possível, depois de tanto tempo, desvendar seus segredos?
Narrada por diversos personagens ao longo das décadas, A prisioneira do tempo é uma história de assassinato, mistério e roubo, de arte, amor e perda. Entremeando cada página, há a voz de uma mulher que teve seu nome apagado da história, mas que assistiu a tudo de perto e mal pode esperar pela chance de contar sua versão dos fatos.

RESENHA ESCRITA

A Prisioneira do Tempo é o mais recente romance de Kate Morton, cujas obras trazem uma mescla de gêneros. Entre o histórico, o drama, o suspense e o romântico, a autora constrói uma teia complexa de personagens entrelaçados pelo tempo por meio de uma linguagem elaborada com esmero.

A arquivista Elodie Winslow encontra uma bolsa de couro contendo uma foto de uma mulher e um caderno de desenhos. Ao reconhecer entre as ilustrações uma casa que só havia visitado em sua imaginação, decide investigar os pertences e o mistério que a conecta a eles.

A Prisioneira do Tempo já começa revelando um diferencial: entre as várias narrativas em terceira pessoa que se darão ao longo da leitura, há uma em primeira pessoa, cuja personagem é o principal mistério ao redor dos acontecimentos em Birchwood Manor, a casa que atrai Elodie para a investigação. A questão é que essa personagem é um fantasma que habita o local há mais de 150 anos e, através de suas impressões a  respeito dos moradores que por ali passaram ao longo do tempo, vai nos ajudando a reconstruir os acontecimentos. Assim, entre essas passagens em primeira pessoa, encontramos blocos narrativos em terceira pessoa, cada um em um diferente momento no tempo, pela perspectiva de algum personagem que passou por aquela casa. Dessa forma, temos diferentes histórias sendo narradas que, apesar de suas particularidades, constroem uma maior.

Além da própria escrita de Kate Morton ser bastante detalhada, rica em impressões e sensibilidade artística, a própria estrutura do enredo faz da leitura mais lenta. Esse não é um livro com uma narrativa frenética, repleto de ação e eventos que nos fazem virar a página com fúria; ao contrário, é daquelas histórias para ser degustada, aproveitada em seus pormenores. Os principais temas de A Prisioneira do Tempo são a arte e a própria passagem do tempo, o que faz da memória e seus efeitos um dos principais elementos do romance. As personagens que aparecem, cada uma em uma diferente época, encaram conflitos particulares, mas que, de algum modo, se relacionam com Birchwood Manor, como se a mansão tivesse o poder de transformá-las — e é a fantasma narradora quem registra os fatos e os relata.

Foi sem dúvida a escrita da autora o que mais me cativou em A Prisioneira do Tempo, uma vez que Kate Morton relaciona arte, sentimentos e impressões de uma forma belíssima, transmitindo essa mescla em palavras capazes de encantar os olhos. Mesmo não tendo sido um livro que me levou às lágrimas ou que me causou euforia, foi um trabalho que admirei.

No resumo, A Prisioneira do Tempo é aquele tipo de leitura tranquila, para se fazer sem pressa e absorvendo suas nuances. Como um belo quadro clássico a se admirar através de um vidro, proporciona uma experiência talvez um pouco distante, mas, sem dúvida, estimada.

 

Obras da autora publicadas pela editora Rocco





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13 Respostas para "[Resenha] A Prisioneira do Tempo — Kate Morton"

Tereza Cristina Machado - 12, maio 2020 às (18:22)

“ Como um belo quadro clássico a se admirar através de um vidro…” uau 😮 achei essa frase no final um resumo esplêndido 👏🏻
Confesso que quando vi o lançamento desse livro não fiquei tão encantada assim e você falando que é uma leitura lenta me desanimou mais ainda… mas a frase final bateu aquela curiosidade sobre esse “fantasma” hahahaha 🤣

RUDYNALVA CORREIA SOARES - 12, maio 2020 às (23:14)

Aione!
Acredito que a autora soube escrever uma bela arte nesse exemplar.
Adoro quando tem esa mudnaça entre primeira e terceira pessoa, principalmente quando o livro traz uma parte no presente e outra no passado.
E amei esse lance de ter um fantasma na casa que trará todo tom de suspense que encontramos no livro.
cheirinhos
Rudy

RUDYNALVA CORREIA SOARES - 12, maio 2020 às (23:39)

Aione!
Acabei de comentar aqui, mas como não aparece, vou comentar de novo.
Gosto quando a narrativa é intercalada entre primeira pessoa e terceira, ainda mais quando temos uma história que se desenrola no presente e outra no passado, dá para diferenciar bem as falas.
E adorei a ideia da autora inserir um fantasma que tem um papel importante para todo desenrolar do mistério do enredo.
Acredito que mesmo não sendo uma leitura tão dinâmica, podemos degustá-la aos poucos.
cheirinhos
Rudy

Angela Cunha - 13, maio 2020 às (07:33)

Acredita que ainda não conheço as letras da autora? Sim, isso é muito ruim, já que seus livros sempre são muito elogiados. Eu adoro isso de viagens no tempo.
Mas confesso que fiquei aqui lendo a resenha e me pegando no lugar de Elodie. Essa mistura de viagem no tempo, mistério, um assassinato e claro, um romance, agrada os olhos e o coração.
Espero de coração, poder ler não somente este livro da autora, mas também outros!!!
Beijo

Rayanne - 13, maio 2020 às (09:33)

Olá, tudo bem?
Vi uma ou outra vez foto deste livro no instagram mas acabei nem dando atenção simplesmente porque julguei pela capa. Jurava que era tipo auto ajuda. Bem feito para mim.
Gostei bastante da premissa, da leveza e envolvimento que parecem ter na leitura. Parabéns pela resenha.

Beijo!!

Anna Mendes - 13, maio 2020 às (09:42)

Oi Aione!
Ahhh, toda vez que você fala de algum livro da Kate Morton a minha curiosidade de conhecer a escrita dela só aumenta!
Nossa, fiquei completamente apaixonada pela capa de A Prisioneira do Tempo! Com certeza é um daqueles livros que eu compraria pela capa sem pensar duas vezes hehehe.
Adorei a premissa de A Prisioneira do Tempo!
Fiquei muito curiosa para saber como a autora mistura elementos históricos com romance e suspense.
Parece ser uma história que proporciona uma leitura envolvente e com personagens bem construídos.
Ter o ponto de vista de uma fantasma narrando a história é um diferencial que chama a atenção hahaha.
Espero conseguir ler algo da autora em breve! 🙂
Bjos!

eliane - 14, maio 2020 às (11:07)

é a primeira resenha que leio desse livro
pela sua resenha esse livro deve ser lido com calma abolvendo tudo sem pressa
intrigante essa forma de narrativa entre primeira e terceira pessoa
não sei quando lerei mas já está na lista de desejados

Lynn Prado - 14, maio 2020 às (14:56)

Oooie
Nunca li nenhum livro dessa autora, mas tenho muita curiosidade sobre a escrita dela.
Achei super interessante o fato de que o livro traz uma fantasma narradora que registra e relata alguns fatos, gosto muito quando a leitura mescla o drama, suspense e romance!
Bjs

Theresa Cavalcanti - 15, maio 2020 às (13:33)

Olá, Aione.

Não conhecia essa atriz, mas esse livro já estava na minha lista no Skoob, não sei como foi isso KKKKKKK
Achei a capa muito fofa, mas não sei se fiquei empolgada para ler :/ Talvez eu dê uma chance sim, já qe ele já esta na minha lisat KKK
beijos

Elizete Silva - 15, maio 2020 às (19:28)

Olá! Eu acho a capa desse livro muito bonita, esse enredo me deixou bastante curiosa, gosto desse tipo de história com tantos mistérios e passagens de tempo, meu único receio é que o fato da escrita da autora ser mais lenta possa tornar a leitura um pouco cansativa.

Giovanna Talamini - 22, maio 2020 às (13:51)

Olá!
É aquele tipo de livro que acabamos ficando em dúvida de qual seu gênero rs.
Não curto muito livros históricos, mas acho que valeria a pena a leitura pela parte do suspense.

Luana Martins - 29, maio 2020 às (00:08)

Oi, Aione
Não conheço a escrita da autora, espero ler algo dela em breve.
Que capa lindíssima!
Mesmo não sendo aquela trama que te faz chorar e tal, mas tenho interesse nessa investigação, o que elo Elodie tem com a casa e os outros personagens. Com uma narradora bem inusitada.
Vai para a lista de desejos, beijos.

Ana I. J. Mercury - 31, maio 2020 às (21:09)

Oi, Aione
Quero muito ler algum livro da Kate Morton.
Esse parece ser muito bom. Cheio de arte e muitos mistérios.
A capa é maravilhosa!
Assim que der lerei!
Bjs

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