[Resenha] O Capeta-Caolho contra a Besta-Fera - Everaldo Rodrigues | Minha Vida Literária
17

mar
2020

[Resenha] O Capeta-Caolho contra a Besta-Fera – Everaldo Rodrigues

Título: O Capeta-Caolho contra a Besta-Fera
Autor: Everaldo Rodrigues
Editora: Autopublicação
Número de Páginas: 138
Ano de Publicação: 2018
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Sertão. Anos 30. É o auge do cangaço…
Um lobisomem ataca, todo mês, a cidadela de Terezinha de Moxotó, no interior de Pernambuco. Sem ter a quem recorrer, o prefeito e Coronel Jesuíno de Cândida contrata o bando do cangaceiro Jeremias Fortunato Silveira, conhecido como Capeta-Caolho, figura aterrorizante, tão maléfica quanto o monstro que os ataca, na esperança de que o bandido terrível dê cabo da besta-fera. Mas quando os cangaceiros chegam na cidade, o povo entende que combater o mal com o mal nunca é a melhor escolha.

Vencedor do prêmio Aberst de Literatura na categoria conto de Horror, Everaldo Rodrigues traz em O Capeta-Caolho contra a Besta-Fera cangaço e lobisomem em um único cenário.

Nos anos 1930, em meio ao sertão, o cangaço estava em seu auge. A cidadela de Terezinha de Moxotó no interior de Pernambuco vivia sua época de trevas. Atacada todo mês por um lobisomem, não tinha homem em sã consciência capaz de se pintar de macho e enfrentar a besta-fera. É por isso que o prefeito e Coronel Jesuíno de Cândida decide contratar outro dos piores pesadelos daquele povo humilde, um bando cruel de cangaceiros ao comando de Jeremias Fortunato Silveira, famoso pelo codinome Capeta-Caolho, o diabo encarnado. E, apesar das esperanças de que um dê cabo no outro, o povo acabará por entender que combater o mal com o mal nunca é a melhor escolha.

Quando assinei o Kindle Unlimited, encontrei muita coisa boa e O Capeta-Caolho contra a Besta-Fera foi uma delas. Considero esse conto uma obra de arte nacional, que desbrava muito da nossa rica cultura, por vezes esquecida. Aqui temos o povo sofrido de Terezinha de Moxotó, corpo endurecido pela vida e pelo ambiente que os cerca, com maneiras de agir e falar muito características da região. Everaldo foi bem minucioso ao trabalhar esses detalhes, pois dessa forma garantiu uma imersão excelente.

Eu achei que as descrições de ambiente fizeram jus ao gênero. Ao ler o vento arrastar a terra, é possível sentir aquela expectativa do que está por vir: o momento em que se torna a caça ao invés do caçador. Se envolver com algo que já é consagrado na literatura fantástica como o lobisomem requer, sim, uma dose generosa de inovação, mas sempre me pergunto se boas ambientações já não seriam o suficiente para criar essa sensação de encontro com algo novo. Quando me pergunto o que deu tão certo com O Capeta-Caolho contra a Besta-Fera, tenho certeza que o cangaço fez seu trabalho.

Agora vamos falar das motivações dos personagens. Sem querer dar spoiler, acredito que a base da trama envolvendo tanto a Besta-Fera quanto o Capeta-Caolho dão riqueza ao seu confronto final, uma batalha visceral, ágil, transbordando emoções humanas e um tanto diabólicas. Talvez você não goste de terror, e apesar desse livro não dever nada ao gênero, acredito muito que você poderia se aventurar por ele. É uma obra que conta muito sobre nossos medos, ressentimentos, sobre perder quem se ama e como um monstro pode ser construído dentro da alma de um bom homem.





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6 Respostas para "[Resenha] O Capeta-Caolho contra a Besta-Fera – Everaldo Rodrigues"

Angela Cunha - 18, março 2020 às (07:53)

Gente!!!Que delícia ler uma resenha assim.rs Além de ser nacional, trazendo também as peculiaridades do sertão, tipo do interior mesmo.
Como sou nascida, criada e vivida em interior, essas lendas de lobisomem, besta fera, são tão presentes aqui. Até hoje, principalmente em época de quaresma.
Acredito que no sertão também seja assim, por isso, já fiquei encantada com o cenário e claro que quero conferir!!!
Beijo

Anna Mendes - 18, março 2020 às (13:46)

Oi Fran!
Que legal a sua resenha!
Adoro contos de terror e não conhecia essa obra nacional!
Apesar dos lobisomens serem uma figura bem conhecida, achei a premissa desse livro diferente e interessante.
Acho que nunca li nada nesse estilo ambientado no Brasil.
Fiquei bem curiosa para fazer a leitura! 🙂
Bjos!

Elizete Silva - 25, março 2020 às (17:41)

Olá! Eita que eu me identifiquei (e muito) com a última parte da resenha, definitivamente o gênero não é o dos meus preferidos (acho que nunca vou me cansar de dizer (escrever) isso), mas não posso negar que achei o enredo interessante, ainda mais por retratar um pouco da nossa cultura, quem sabe num futuro (não tão distante) eu não me arrisque com a leitura!

Scheila - 30, março 2020 às (07:49)

Oii, Fran!

Muito boa sua resenha.. Confesso que não sou muito fã de livros com esse gênero, mas sempre é bom da ruma mudada nas leituras né?
Gostei bastante da escrita ser nacional.. isso sempre me motiva a ler.
E lobisomem é algo que me lembra muito minha infância, achei interessante.

Beijos!

Ana I. J. Mercury - 31, março 2020 às (19:37)

Oi, Francine
Gosto muito de ler sore lendas e mitos, esse parece ser incrível!
Bem escrito, bem desenvolvido e muito criativo.
O lobisomen sempre me traz indagações, já que minha bisa jura que no sítio em que ela foi criada tinha um de verdade! rsrsrs
bjs

ANA PAULA SANTOS MOREIRA - 31, março 2020 às (21:56)

Legal ler um livro de autor nacional, é difícil encontrar livros nacionais que realmente me agrada. Gostei desse livro, para mim pareceu um livro infanto-juvenil. Mas gostei, tem poucas páginas, vai ser divertido a leitura.

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