[Resenha] Cadê Você Bernadette? — Maria Semple | Minha Vida Literária
26

nov
2019

[Resenha] Cadê Você Bernadette? — Maria Semple

Título: Cadê Você Bernadette?
Título original: Where’d You Go, Bernadette?
Autor: Maria Semple
Tradução: André Czarmolai
Editora: Companhia das Letras
Número de Páginas: 372
Ano de Publicação: 2013
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Bernadette Fox é notável. Aos olhos de seu marido, guru tecnológico da Microsoft e rock star do mundo nerd, ela se torna mais maníaca a cada dia; para as demais mães da Galer Street, escola liberal frequentada pela elite de Seattle, ela só causa desgosto; os especialistas em design ainda a consideram uma gênia da arquitetura sustentável, e Bee, sua filha de quinze anos, acha que tem a melhor mãe do mundo. Até que Bernadette desaparece do mapa. Tudo começa quando Bee mostra seu boletim (impecável) e reivindica a prometida recompensa: uma viagem de família à Antártida. Mas Bernadette tem tal ojeriza a Seattle – e às pessoas em geral – que evita ao máximo sair de casa, e contratou uma assistente virtual na Índia para realizar suas tarefas mais básicas. Uma viagem ao extremo sul do planeta é uma perspectiva um tanto problemática.
Para encontrar sua mãe, Bee compila e-mails, documentos oficiais e correspondências secretas, buscando entender quem é essa mulher que ela acreditava conhecer tão bem e o motivo de seu desaparecimento. Maria Semple revela, em seu segundo romance, a influência de grandes escritores contemporâneos como Jonathan Franzen e Jeffrey Eugenides, ao mesmo tempo que se afirma como uma voz original, marcada pelo melhor humor das séries de TV norte-americanas. Sem sentimentalismos, mas com muita empatia, Cadê você, Bernadette? trata do amor incondicional de uma filha por sua mãe imperfeita.

Com uma narrativa em forma de cartas, bilhetes, e-mails e documentos oficiais, Maria Semple transborda originalidade em Cadê Você Bernadette? ao falar sobre o amor de uma filha pela sua mãe e o que a ansiedade é capaz de fazer quando agarra profundamente alguém.

Bernadette Fox é uma mulher excêntrica e genial que mora na cidade de Seatle, lugar em que a união da comunidade é tudo, coisa que, claramente, uma família vivendo em um antigo dormitório para meninas caindo aos pedaços não é lá muito bem visto. Não que isso importe para Bernadette, que vê as mosquinhas — outras mães da cidade — como coisas sem importância. O problema é que quando o sossego de Bernadette é abalado pelo pedido da filha de ir para a Antártida, a vida dessa mulher começa a sair completamente dos trilhos, levando-a desaparecer do mapa. Caberá então a Bee procurar pela mãe que acreditava conhecer tão bem.

Esse foi um livro que queria ler faz algum tempo, isso pelo fato de que já tinha escutado sobre a genialidade narrativa. E, sabe o que mais me impressionou? É que apesar de já ter lido muita coisa, não tinha encontrado nada como Cadê Você Bernadette? antes. Fiquei encantada que através de situações, muitas vezes irrelevantes no momento — um exemplo seria um bilhete de uma vizinha para um jardineiro sobre trepadeiras — a autora conseguiu apresentar a Bernadette como uma mulher cheia de inseguranças e fobias, cujo maior medo é destruir coisas e não ser capaz de reconstruí-las.

O livro carrega muito dessa perspectiva de construção, isso porque além de Bernadette ter sido uma arquiteta incrível, a vida por si só é um jogo de peças que nem sempre se encaixam tão bem — seja uma mãe com depressão, um pai focado no trabalho ou uma filha adolescente procurando atenção e conforto — todos são peças que formam o laço familiar, a base de uma estrutura. Essa é a força emocional do livro.

E, sabe o que é mais interessante? É que o livro não é emocional! Não estamos lidando com um drama repleto de passagens para anotar, momentos de reflexão, nada disso. Eu mesma não grifei uma única frase, isso pelo fato de toda a narrativa ter um tom de comédia e sarcasmo que faz da leitura não apenas leve, mas interessante, instigante. Mostra que através de informações aleatórias, pode existir uma entrega de personagem para o leitor suficientemente forte para fazê-lo se identificar e torcer.

Eu soube que saiu o filme recentemente, ainda não assisti, mas também não tenho grandes expectativas, isso porque a genialidade da escrita do livro não me parece algo que seria bem adaptável para as telonas, o que significa mudanças na estrutura que eu sou descontroladamente apaixonada. Por fim, Cade Você Bernadette? é um livro sobre frustrações, medos, ressentimentos e principalmente sobre o laço forte que existe entre uma mãe e sua filha, de modo que Bernadette e Bee são as estrelas desse roteiro no mínimo curioso.





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6 Respostas para "[Resenha] Cadê Você Bernadette? — Maria Semple"

Angela Cunha - 27, novembro 2019 às (07:30)

Eu li semana passada uma crítica sobre esse filme, mas não foi muito positiva não. Agora lendo a resenha do livro, entendi os motivos. Acho que o “troço” funcionou muito bem nas letras e na telona, deixou bem a desejar. Eu verei o filme sim, assim que puder.
Mas parece que prefiro ler o livro antes. Não consegui enxergar Bernadette como alguém do bem e isso até me incomodou de certa maneira.
Espero estar enganada(mesmo achando que não estou),mas tem o amor da filha pela mãe, então talvez isso salve minha expectativa!
Lerei e verei!
Beijo

Scheila - 27, novembro 2019 às (09:07)

Oii, Fran!

Nossa, não conhecia esse livro e simplesmente me encantei através da tua resenha.
Eu achei o tema que envolve a Bernadette, muito interessante para os dias de hoje.. esses medos, ansiedade é algo que me envolvem bastante.. e trazer isso desse modo, em meio a algo tão real que é a família, me deu muita vontade de ler.
Você disse que virou filme mas não se interessou tanto em ver, confesso que isso acontece comigo na maioria das vezes, eu prefiro mil vezes ficar só com a leitura, assisto a filmes em casos bem raros ehehe.
Obrigada!
Beijihos. <3

Maria Cecília Vieira - 27, novembro 2019 às (10:40)

Engraçado que esse livro não me chamou atenção logo de cara, mas ao longo da sua resenha eu fui ficando com vontade de ler. Passa a impressão de ser uma história marcante, mas ao mesmo tempo muito bem construída com leveza para que o leitor vá se identificando com os personagens. Gostei bastante!

Anna Mendes - 28, novembro 2019 às (09:41)

Oi Fran!
Amei a resenha!! <3
Eu já tinha ouvido falar desse livro, mas não sabia exatamente qual era o foco da história. Cheguei até a pensar que se tratava de um thriller hahaha
Fiquei bem curiosa para fazer a leitura e conhecer a escrita da autora!
As protagonistas parecem ser bem complexas! Fiquei curiosa para ver como a autora utilizou o humor e o sarcasmo na narrativa!
Não sabia que ele foi adaptado.
Bjos!

Fabiolla Devenz - 29, novembro 2019 às (14:39)

Achei a capa do livro bem diferente e com um certo tom de leveza.
Fiquei curiosa para conhecer como a autora abordou os anseios da Bernadette, já que o livro tem uma pegada leve e humorística.
O fato do livro apresentar uma escrita em forma de e-mail, cartas e bilhetes me chamou muito a atenção, não li nada parecido até agora e acho que a experiência deve ser muito boa.

RUDYNALVA - 29, novembro 2019 às (23:29)

Francine!
Como faço correspondência, todo enredo que tem cartas e bilhetes, já me fascinam e aqui ela ainda traz outras formas de comunicação, achei bem original.
E se o livro é engraçado, já me ganhou, porque nada melhor do que boas risadas em um enredo que não tem nada de dramático.
cheirinhos
Rudy

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