Título: Divã
Autor: Martha Medeiros
Editora: Objetiva
Número de Páginas: 154
Ano de Publicação: 2009
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Quando comecei a leitura de Divã, ainda que soubesse do trabalho de Martha Medeiros como cronista, acreditei estar diante de um chick-lit. Uma mulher que, através de consultas com seu psicólogo, revela, a cada capítulo, um pouco mais de si mesma, criando na mente do leitor as cenas de sua vida.
Mercedes, por todo o livro, percorre uma busca em si mesma, descobrindo novas facetas, revelando outras já conhecidas por ela, entendendo fatos da vida e procurando respostas para outros. Lopes é apenas o que facilita a ela percorrer essa jornada, ele é um mero instrumento que, ao ouvir o que ela tem a dizer, permite que ela mesma tire suas próprias conclusões.
“Sou tantas que mal consigo me distinguir. Sou estrategista, batalhadora, porém traída pela comoção. Num piscar de olhos fico terna, delicada. Acho que sou promíscua, doutor Lopes. São muitas mulheres numa só, e alguns homens também. Prepare-se para uma terapia em grupo.”
página 11
Confesso que tinha receio em ver o filme. Lembro-me de que, quando vi o trailer há anos, pensei ser uma comédia, com cenas hilárias – o que não deixa de acontecer. Porém, ao ler o livro, percebi não só a profundidade da obra, mas também o fato de seu humor não ser um estilo “comédia”, ele é mais refinado, mais irônico e senti medo de que o filme acabasse por banalizar o trabalho de Martha Medeiros.
Impossível ter a mesma profundidade do livro. Nem todas as reflexões de Mercedes puderam ser reproduzidas, ao passo que a ausência de algumas delas deu lugar para a extensão de cenas que, no livro, foram apenas citadas. Contudo, muitas das falas da protagonista são reproduzidas com exatidão por Lília Cabral, que protagoniza Mercedes. Me vi, em vários momentos, completando mentalmente as falas, por já tê-las conhecido pela leitura. Uma das estratégias usadas foi a transposição de parte das falas do consultório para as mais diversas cenas. Por exemplo: há coisas, no livro, ditas de Mercedes para Lopes. No filme, os mesmos dizeres acontecem em outra situação para outra personagem.
Ainda, achei ótimo o fato de a estrutura do livro ter sido mantida. As cenas são apresentadas segundo as sessões com Lopes, que, como no livro, não tem fala alguma. Aliás, o psicanalista sempre aparece de costas, como uma sombra, demonstrando o seu papel de ouvinte, de canal para as falas de Mercedes.
Alexandra Richter merece destaque. Simplesmente adorei a atuação dela como Mônica, melhor amiga de Mercedes. Só senti falta da menção de uma das falas de Mercedes que mais me marcou no livro e que não foi citada no filme, porém, diz tudo sobre a amizade das duas:
“Não sou como Mônica, então sou outra pessoa, existo. Não gosto das coisas que Mônica gosta, então eu tenho preferências pessoais, existo. Não sinto as coisas da mesma forma que Mônica, então eu sinto as coisas de forma particular, existo. As pessoas não gostam de solidão porque não têm com o que se defrontar, perdem a referência do que não são, ficam apenas com aquilo que são e não desvendam. Agora entendo que eu reverenciava a solidão porque acreditava que me conhecia o suficiente. Sozinha a gente apenas se preserva. A nossa existência, pra valer, só se confirma através dos outros”.
página 165
Recomendo o filme para um bom entretenimento. Se for assistir com a família, esteja com aqueles que você sabe que não se constrangerão ou com quem você não se sentirá constrangido em alguns momentos, cenas e assuntos como sexo estão presentes, mesmo que em doses homeopáticas. Porém, mais ainda do que o filme, recomendo a leitura. É igualmente prazerosa e muito mais ampla, em termos reflexivos, do que sua adaptação.



Oi Mi.
Amo filmes nacionais e sempre que posso estou assistindo algum. Esse parece ser bem interessante, ainda mais porque gosto do trabalho desta atriz. A respeito do livro,também irei dar uma chance.
Beijos.