[Vídeo Resenha] Nossa Estação — Laura Jane Williams - Minha Vida Literária
Minha Vida Literária
17

mar
2022

[Vídeo Resenha] Nossa Estação — Laura Jane Williams

Todas as manhãs, Nadia pega o trem das 7h30, sem jamais falhar. Bem, exceto quando ela dorme demais, ou acorda na casa da melhor amiga, Emma, depois de juntas beberem muito vinho.
Daniel realmente pega o trem das 7h30, todas as manhãs, e isso porque ele não consegue dormir direito desde que seu pai morreu. Certa manhã, os olhos de Nadia avistam uma postagem no jornal diário:
“Para a loira devastadoramente fofa na linha Northern com uma bolsa preta de marca e manchas de café no vestido — você entra na estação Angel às 7h30, sempre pela escada rolante mais próxima e sempre com pressa. Eu sou o cara que está parado perto da porta do vagão, torcendo para que hoje seja o dia que você não perdeu a hora. Topa um drink qualquer hora dessas?”
É sua amiga quem envia a resposta:
“Eu sou tímida e vivo atrasada para o trabalho, mas eu faço um café incrível e acho que foi pra mim que você escreveu, pra me chamar de fofa. Eu não faço ideia de quem você é lá no trem, mas venha falar comigo. Eu não mordo. Pelo menos não logo de cara.”
Assim começa um romance de desencontros, amor verdadeiro e o poder da palavra escrita.

 

Ficha Técnica: Nossa Estação

Título: Nossa Estação
Título original: Our Stop
Autor: Laura Jane Williams
Tradução: Laetícia Monteiro
Editora: Rua do Sabão
Número de Páginas: 308
Ano de Publicação: 2021
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Vídeo Resenha


 

Resenha escrita

Nossa Estação é a comédia romântica de Laura Jane Williams publicada pela editora Rua do Sabão e traduzida por Laetícia Monteiro. No Brasil, a autora também assina a obra de não-ficção Resolva a porra dos seus problemas, publicada pela Astral Cultural.

Daniel se encantou por Nadia desde a primeira vez que a viu por acaso, perto de seu trabalho. Quando descobre que, às vezes, pegam o mesmo trem, no mesmo vagão, ele se sente determinado a se aproximar dela. Para não ser inconveniente ou correr o risco de assediá-la, Daniel envia um recado para Nadia através de uma coluna de jornal cujo propósito é tentar estabelecer contato entre crushes de transportes públicos, dando início a uma divertida troca de mensagens entre eles.

Embora eu tenha me interessado pela premissa de Nossa Estação, não imaginava que ia gostar tanto assim da leitura. Em terceira pessoa, os capítulos se alternam entre as perspectivas de Nadia e Daniel por meio da escrita muito bem-humorada de Laura Jane Williams. Acima de tudo, esse é um livro bastante divertido, com diálogos espirituosos e repleto de diversas referências, além de leves críticas sócio-políticas bem colocadas nas diferentes cenas. Há vários momentos com discussões de gênero acontecendo de maneira bastante natural, o que achei ótimo — entretanto, vale dizer que elas acontecem de uma perspectiva de mulheres cis, ainda que haja uma determinada passagem que aborde um ponto de vista não-binário.

Para além da narrativa, o que me conquistou em Nossa Estação foi a construção em si do romance. Ao melhor estilo slow burn, o livro constrói a tensão entre o casal durante praticamente toda a obra. Me vi agoniada pelos desencontros e em uma grande expectativa para que tudo desse certo. Além disso, adorei as personalidades de Nadia e Daniel, assim como dos personagens secundários, que formam a rede de apoio dos protagonistas. O final do livro está, sem dúvida, entre os mais fofos — e empolgantes — que li.

Em termos de edição, achei a diagramação das páginas um pouco desconfortáveis para leitura, tanto pelo espaçamento entre linhas e parágrafos quanto pelas margens estreitas. Também, algumas frases me pareceram um pouco truncadas, respeitando a estrutura sintática do inglês em vez da do português — contudo, várias escolhas de tradução para determinados termos foram muito bem acertadas. Adorei, por exemplo, ler “voz de taquara rachada” em certa passagem.

Em linhas gerais, Nossa Estação foi uma das comédias românticas que mais me conquistou nos últimos tempos, seja pela história em si ter me encantado, pela narrativa ter me divertido ou pelas discussões pertinentes que a obra entrega. O romance, provavelmente, é daqueles idealizados e improváveis, que dificilmente veríamos acontecer na vida real — e justamente por isso me fez tão bem. Foi impossível não ler os últimos capítulos com um sorriso enorme no rosto, sentindo que, às vezes, tudo de que precisamos é só acreditar um pouco mais no destino. 





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