[Resenha] 100 Pedaços de Mim — Lucy Dillon - Minha Vida Literária
Minha Vida Literária
11

jan
2022

[Resenha] 100 Pedaços de Mim — Lucy Dillon

Depois de um fim de relacionamento difícil, Gina Bellamy ainda está tentando se recuperar e descobrir como viver sozinha. De repente, ela se dá conta de que os objetos aos quais deu valor durante tanto tempo simplesmente não se encaixam mais em seu novo momento.
Determinada a recomeçar do zero, Gina decide se livrar de todas as coisas materiais, exceto as 100 que considera imprescindíveis.
Mas o que vale a pena preservar? As cartas do único homem que ela já amou? Uma lembrança do pai que nunca conheceu? Ou um vaso de vidro azul que capta perfeitamente a luz do sol entrando pela janela, mesmo nos dias mais cinzentos?
À medida que deixa o passado para trás, Gina relembra tudo de bom que já aconteceu em sua vida e também se reconcilia com as coisas ruins. Durante esse ritual de autoconhecimento, descobre que todos os dias têm algo para ser aproveitado. E quando ela decide fazer exatamente isso, abre espaço para que a mágica aconteça…

 

Ficha Técnica

Título: 100 Pedaços de Mim
Título original: A hundred pieces of me
Autor: Lucy Dillon
Tradução: Natalie Gerhardt
Editora: Arqueiro
Número de Páginas: 416
Ano de Publicação: 2021
Skoob: Adicione
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Resenha: 100 Pedaços de Mim

100 Pedaços de Mim é mais um título de Lucy Dillon pela editora Arqueiro, que também publicou Lições Inesperadas Sobre o Amor. Com tradução de Natalie Gerhardt, entrega uma leitura sensível por meio de uma leve e doce narrativa.

Depois de um doloroso término de casamento, Gina precisa recomeçar a vida. Ao se mudar para um novo apartamento, decide também manter consigo apenas 100 itens indispensáveis, desapegando-se de todo o resto. Conforme vai avaliando o que será ou não doado, ela também repensa a própria vida, revisitando lembranças difíceis e procurando meios de seguir em frente.

Em terceira pessoa, a narrativa acompanha a perspectiva de Gina e é bastante próxima de suas emoções e pensamentos. Dessa maneira, é possível que o leitor se conecte com a protagonista, testemunhando seus anseios e inseguranças. Além disso, há alternância entre passado e presente, de maneira que tanto a história atual da protagonista é desenvolvida quanto as peças de seu passado pouco a pouco são reveladas, o que ajuda na compreensão de suas dificuldades. Também, essa estrutura ajuda na manutenção de certo suspense no enredo, uma vez que é criado um segredo em relação ao passado de Gina, alimentando, assim, a curiosidade de quem lê.

Apesar disso, demorei para engrenar em 100 Pedaços de Mim. Como há muitas situações e problemas sendo desenvolvidos, fiz uma leitura mais vagarosa e até mesmo desatenta, não conseguindo me envolver. Isso só veio a acontecer mais ao final, quando Gina passa a caminhar em direção à resolução de seus conflitos. Porém, de modo geral, o desenvolvimento do livro é morno.

100 Pedaços de Mim aborda principalmente a dificuldade em lidar com mudanças abruptas, situações típicas em que a vida causa perdas e separações, trabalhando também questões familiares e relacionamentos amorosos. Gina está em busca de se redescobrir após todos os traumas vividos, ao passo em que precisa lidar também com um intenso sentimento de culpa. A perspectiva da morte é outra constante para ela, de maneira que a protagonista se vê forçada a encarar a vida. Nesse ponto, Lucy Dillon trabalha os temas com bastante suavidade e delicadeza, proporcionando uma perspectiva sensível e gentil sobre eles. Especialmente o final do livro me surpreendeu, sendo bastante real em relação à condição de Gina e capaz de acolher quem passa por situações similares, além de atentar para a questão da prevenção de saúde.

Para quem procura uma leitura leve, e para ser feita aos poucos, que reflete de maneira singela sobre o estar vivo, 100 Pedaços de Mim é uma boa recomendação. Embora haja um romance sendo desenvolvido na trama, ele não é o foco dela, estando Gina no centro da narrativa. Lucy Dillon entrega uma história que nos faz pensar sobre como desfrutar da vida, apesar dos percalços que muitas vezes nos são impostos, e sobre as dificuldades que surgem enquanto tentamos lidar com eles. A perspectiva é doce e reconfortante, sem ser forçadamente idealizada.





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