[Resenha] Eu Devia Estar Sonhando — Michel Bussi - Minha Vida Literária
Minha Vida Literária
06

ago
2021

[Resenha] Eu Devia Estar Sonhando — Michel Bussi

Vinte anos atrás, em um voo para Montreal, a comissária de bordo Nathalie encontrou a chance de viver um grande amor que abalou sua vida tranquila como esposa e mãe. Um amor cujo desfecho
ela até hoje não ousa confessar.
Agora, estranhos sinais sem causa aparente vêm se acumulando. Ela é escalada para os mesmos três voos de vinte anos antes. Na mesma ordem: Montreal, Los Angeles, Jacarta. Com a mesma equipe, coisa rara de acontecer. Uma música no rádio, pequenos elementos que se repetem, um passageiro cantando versos que só ela poderia conhecer. Quem – ou que força misteriosa – estará por trás dessas supostas coincidências?
Quando passado e presente são repetidos a ponto de desafiar uma explicação racional, Nathy se vê forçada a enfrentar seu passado, mesmo tendo jurado jamais olhar para trás.
Em um jogo de espelhos entre 1999 e 2019, Eu devia estar sonhando percorre uma trilha surpreendente, repleta de paixão e suspense, e prova que as mais belas histórias de amor nunca morrem.

 

Ficha Técnica

Título: Eu Devia Estar Sonhando
Título original: J’ai dû rêver trop fort
Autor: Michel Bussi
Tradução: Carolina Selvatici
Editora: Arqueiro
Número de Páginas: 384
Ano de Publicação: 2021
Skoob: Adicione
Compare e Compre: AmazonAmericanasSubmarino

 

Resenha: Eu Devia Estar Sonhando

Eu Devia Estar Sonhando é o mais recente lançamento de Michel Bussi pela Arqueiro, que publicou, também, O Voo da Libélula e Ninfeias Negras, duas leituras que me conquistaram por completo. Com tradução de Carolina Selvatici, a obra traz uma mescla de romance com suspense.

Nathalie é comissária de bordo e, há 20 anos, se permitiu viver um grande amor extraconjugal, que ficou em seu passado. Porém, estranhas coincidências remetendo àquele encontro passam a desafiar a racionalidade e a forçam a encarar tudo o que ela havia tentado, com tanto afinco, deixar para trás.

A narrativa de Michel Bussi é envolvente desde as primeiras páginas. A sequência de coincidências absurdas nos coloca na pele de Nathalie e, como ela, ficamos afoitos tentando desvendar o que estaria acontecendo. Há alternância entre os anos de 2019 e 1999, de maneira que, aos poucos, temos conhecimento do que aconteceu há 20 anos, ao mesmo tempo em que vemos parte dos acontecimentos se repetir no presente. Em primeira pessoa, a maior parte da narrativa se estrutura pelo ponto de vista da protagonista, mas há passagens em terceira pessoa trazendo a perspectiva de personagens secundários, em momentos que não poderiam ser narrados por Nathalie — mas que contribuem na construção do suspense.

A principal linha narrativa de Eu Devia Estar Sonhando é o romance proibido de Nathalie e os conflitos gerados a partir disso, o que faz com que muitas passagens da história tragam momentos de mais sensibilidade e romantismo. Parte dessas características, também, são provenientes da presença da arte na história, sobretudo a música — um aspecto que dificilmente me desagrada quando existe nas leituras. Apesar disso, o suspense se faz presente na tentativa de Nathalie compreender o que está acontecendo, além do próprio desenrolar investigativo que acaba surgindo na trama. Há, também, várias reviravoltas no enredo, o que contribui para a criação da tensão.

Embora o começo da leitura tenha me instigado bastante, assim como o final foi um tanto quanto ágil, o meio de Eu Devia Estar Sonhando foi mais arrastado. É interessante a presença de diferentes cidades e pontos turísticos na história, contribuindo com uma maior riqueza de cenários, mas o enredo em si perde velocidade. Além disso, há falas e visões pontuais ao longo do livro que me incomodaram, como a visão tida de regiões subdesenvolvidas, por exemplo, ou as muitas descrições de Nathalie sobre a melhor amiga, que me pareceram sexualizadas e de uma ótica masculina. Ainda, a construção em si dos personagens não me convenceu. O livro traz situações complexas, mas as personagens não me pareceram profundas o bastante para acompanharem essas complexidades. As resoluções e descrições emocionais, no geral, foram por caminhos clichês que, ao invés de me confortarem e agradarem, apenas pareceram banais. Por fim, não consegui comprar o segredo da protagonista, tendo sido o ápice de uma romantização inadequada, que também aparece na responsabilização feita em cima dela em relação aos rumos profissionais de seu amado.

No geral, Eu Devia Estar Sonhando ficou aquém das minhas expectativas, considerando meu contato anterior com as obras de Michel Bussi. Apesar disso, foi uma leitura que me instigou durante sua maior parte e que traz uma história interessante — o desenrolar em si do mistério me agradou e valeu a experiência. Embora os conflitos emocionais não tenham me convencido de todo e eu mais tenha achado a história romantizada do que propriamente romântica, a cena final me emocionou, pela beleza da potência da arte que é representada naquele momento.





Deixe o seu comentário

2 Respostas para "[Resenha] Eu Devia Estar Sonhando — Michel Bussi"

Tati - 17, agosto 2021 às (12:27)

Mulher,
Amei sua resenha, super completa e nos instiga a querer ler o livro!
Não conheço esse autor ainda, Mas já gostei por ter mistério, romance!!
Vou colocar na minha listinha 🙂
Beijinhos
Taty
https://www.conclusoesliterarias.com.br/

Aione Simões - 17, agosto 2021 às (12:53)

Muito obrigada pelo comentário!

Minha Vida Literária

Caixa Postal 452

Mogi das Cruzes/SP

CEP: 08710-971

Siga nas redes sociais

© 2021 • Minha Vida Literária • Todos os direitos reservados • fotos do topo por Ingrid Benício