[Resenha] Quando te vejo — Holly Miller - Minha Vida Literária
Minha Vida Literária
30

jul
2021

[Resenha] Quando te vejo — Holly Miller

Joel tem medo do futuro. Desde criança, ele sonha com as pessoas que ama, sonhos que sempre se tornam realidade ― sejam eles bons ou ruins. E a única maneira que ele encontra para evitar que essas pessoas se machuquem é nunca se permitir se aproximar de alguém.
Já Callie não consegue superar o passado. Desde a morte de sua melhor amiga, ela se sente perdida e não consegue mais achar dentro de si a pessoa alegre e extrovertida que costumava ser. Quando um encontro inesperado acontece, Joel e Callie acham um no outro tudo aquilo de que precisavam. Até que Joel tem uma visão que põe essa felicidade em xeque.
Emocionante e capaz de partir os corações mais difíceis, Quando te vejo é uma história de amor que questiona a inevitabilidade do destino e mostra que é necessário ter coragem para se abrir para o amor, mesmo que ele não dure para sempre.

 

Ficha Técnica

Título: Quando te vejo
Título original: The sight of you
Autor: Holly Miller
Tradução: Giu Alonso
Editora: HarperCollins Brasil
Número de Páginas: 384
Ano de Publicação: 2021
Skoob: Adicione
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Resenha: Quando te vejo

Quando te vejo é o romance de estreia de Holly Miller, que será adaptado para os cinemas em breve. Publicado no Brasil pela HarperCollins, ganhará continuação, segundo informações disponíveis no Goodreads.

Joel tem sonhos premonitórios com as pessoas que ama. Por isso, vive tentando impedir que os acontecimentos ruins se concretizem e está determinado a não se apaixonar novamente, temendo sofrer. Callie, apaixonada pela natureza, lida com o luto pela morte da melhor amiga, cujo sonho era um empreendimento no qual Callie decide trabalhar para honrá-la, embora deseje trilhar o próprio caminho. Imersa em suas próprias questões, um romance não está em seus planos… Mas, ao conhecer Joel, as emoções afloram como nunca havia acontecido.

Holly Miller alterna os capítulos entre as narrativas em primeira pessoa de Joel e Callie. Sua escrita mescla muito bem a sensibilidade poética com a fluidez, criando uma atmosfera encantadora, que nos deixa ávidos a prosseguir na leitura. Ao permitir que os protagonistas tenham suas vozes expressas, cria a complexidade de cada um a partir de suas questões particulares, que se chocam de maneira muito real quando passam a se relacionar. Apesar do toque de fantasia na história, devido aos sonhos proféticos de Joel, Quando te vejo foi um daqueles romances que me soou extremamente real.

A fantasia, aliás, como comum às suas próprias características, aparece também como metáfora. Se Joel só sonha com alguém quando passa a amar a pessoa, não seriam seus sonhos uma representação dos medos e desejos que temos em relação a quem amamos? Uma representação da vulnerabilidade presente ao se apaixonar? Entre temáticas diversas, Quando te vejo trata da coragem em se permitir viver o amor no presente, descolado de traumas passados e de possibilidades futuras.

Questões como passagem do tempo e coexistência de sentimentos também aparecem na narrativa. É extremamente tocante como Holly Miller demonstra o quanto somos afetados por determinados encontros em nossa vida, e o quanto isso independe de se estar ou não ao lado da pessoa, já que carregamos as marcas conosco para além da duração de cada encontro. Ainda, traz, por um lado, a dolorosa e necessária constatação de que o amor em si não basta em uma relação, que é afetada por diversas outras variáveis; por outro, é reconfortante — e belo — constatar que o amor independe de qualquer limitação, podendo existir por si só. Também, a existência de um amor prévio não impede o surgimento de um amor futuro.

Em termos de trajetória de personagens, destaco o belo crescimento de Callie. É inspirador vê-la, aos poucos, deixar o medo para trás rumo aos próprios sonhos e desejos. Sobre Joel, fiquei emocionada ao vê-lo aprendendo a confiar no amor de quem os rodeia. Entre tantas cicatrizes e preocupações, sua figura é solitária, e vê-lo aprendendo a compartilhar seus fardos nos lembra de que não precisamos ser sozinhos — e que as pessoas que nos cercam podem nos surpreender.

No geral, Quando te vejo foi uma das leituras mais bonitas e tocantes que fiz nos últimos tempos. Entre cenários naturais, passagens tocantes e um final arrebatador, Holly Miller construiu uma história terna e inesquecível.





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