[Resenha] Se eu te conto... Vira novela — J. Rossini - Minha Vida Literária
Minha Vida Literária
12

abr
2021

[Resenha] Se eu te conto… Vira novela — J. Rossini

São sete contos de ficção, baseados em experiências humanas reais que o autor viveu, testemunhou ou tomou conhecimento ao longo de sua longa trajetória de vida.
“A vida pode ser cruel ou generosa. Tudo depende de nossos pensamentos que geram nossas ações, que definem nossas práticas de vida e moldam nosso caráter”.

 

Ficha Técnica: Se eu te conto… Vira novela

Título: Se eu te conto… Vira novela
Autor: J. Rossini
Editora: Drago
Número de Páginas: 282
Ano de Publicação: 2020
Skoob: Adicione
Compre: Amazon
Saiba mais: Site do AutorInstagram

 
 

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Resenha escrita

Se eu te Conto… Vira Novela é a antologia de sete contos de J. Rossini publicada pela Drago Editorial. Narrados em terceira pessoa e de extensão média, são contos ao estilo clássico, de pequenas histórias com começo, meio e fim, diferentes dos contos modernos, que normalmente retratam hiatos momentâneos.

O estilo de escrita de J. Rossini é simples e direto, sem floreios narrativos. Esse aspecto aliado à habilidade do autor em conduzir o enredo proporciona uma leitura muito envolvente, na qual a curiosidade pelos próximos acontecimentos está o tempo todo ativada. Foi um daqueles livros que, uma vez começado, eu não sentia vontade de parar, e que cada conto me instigava a iniciar o próximo.

O que também me agradou foi o fato das histórias serem bastante variadas, acontecendo em espaços diferentes, em diferentes cenários do Brasil, e trazendo situações muito particulares. Ao mesmo tempo em que há contos cotidianos e do dia-a-dia, focados na dinâmica das relações, em outros a ação e a adrenalina falam mais alto, com histórias envolvendo riscos e personagens buscando sua sobrevivência à própria maneira.

A narrativa em terceira pessoa tende à imparcialidade dessa voz, no sentido de apresentar os fatos e circunstâncias como são. Ainda assim, os contos, no geral, passam uma mensagem de reflexão moral ou de vida em suas finalizações. Por outro lado, as características de cada personagem são demonstradas de acordo como são, independentemente de julgamentos. 

“O Jardineiro”, sexto conto, por exemplo, aborda a questão do preconceito racial. Caio, o protagonista, é um homem negro adotado por uma família branca quando criança — e, por isso, seus pensamentos são em grande parte formados a partir desse meio — que passa a se relacionar com Fabíola, uma mulher branca de família preconceituosa. Através do discurso indireto livre permitido pela narrativa da terceira pessoa onisciente, o racismo estrutural fica expresso mesmo que Fabiola, racionalmente, não se considere preconceituosa. J. Rossini é habilidoso em inserir os pensamentos preconceituosos da personagem de maneira naturalizada, sem que ela mesma tenha consciência deles. E, por esse mesmo recurso, o protagonista do quinto conto, “Tempos Modernos”, pode ser apresentado como é: nem um pouco politicamente correto. 

Devo dizer que esse foi o único conto que não gostei. Apesar de compreender a intenção no retrato do protagonista, a forma como a história em si é conduzida e muitos dos diálogos procuram expressar humor, atmosfera na qual não adentrei. Achei algumas falas violentas ao invés de engraçadas, assim como senti que a situação poliamorosa e homoafetiva ali presente foi retratada por uma perspectiva fetichista.

Em linhas gerais, adorei Se eu te Conto… Vira Novela em especial pelos contos terem sido tão envolventes, com histórias que me despertavam a vontade de prosseguir a leitura. Se o trocadilho no título já havia me cativado pelo jogo de palavras entre gêneros literários, ao final da obra não pude deixar de relacioná-lo, também, a outra acepção de “novela”, em seu sentido de “telenovela”: se nesses programas o fim de cada episódio desperta o interesse de voltar a assisti-lo no dia seguinte, o mesmo acontece aqui em cada conto. São uma boa opção para quem procura uma leitura rápida e instigante!





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