[Resenha] O Livro dos Espelhos — E. O. Chirovici | Minha Vida Literária
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13

out
2020

[Resenha] O Livro dos Espelhos — E. O. Chirovici

Quando o agente literário Peter Katz recebe por e-mail um manuscrito parcial intitulado O livro dos espelhos, ele fica intrigado. O autor, Richard Flynn, descreve seus dias em Princeton, e documenta sua relação com Joseph Wieder, um renomado psicólogo, pesquisador e professor. Convencido de que o manuscrito completo vai revelar quem assassinou Wieder em sua casa, em 1987 — um crime noticiado em todos os jornais mas que jamais foi solucionado —, Peter Katz vê aí sua chance de fechar um negócio de um milhão de dólares com uma grande editora. O único inconveniente: quando Peter vai atrás de Richard, ele o encontra à beira da morte num leito de hospital, inconsciente, e ninguém mais sabe onde está o restante do original. Determinado a ir até o fim neste projeto, Peter contrata um repórter investigativo para desenterrar o caso e reconstituir o crime. Mas o que ele desenterra é um jogo de espelhos, uma teia de verdades e mentiras, e uma trama mais complexa e elaborada que a do primeiro lugar na lista de mais vendidos dos livros de ficção.

 

Ficha Técnica

Título: O Livro dos Espelhos
Título original: The Book of Mirrors
Autor: E. O. Chirovici
Tradução: Roberto Muggiati
Editora: Record
Número de Páginas: 332
Ano de Publicação: 2017
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Resenha: O Livro dos Espelhos

Tive curiosidade por O Livro dos Espelhos desde seu lançamento, em 2017, mas só agora eu o tirei da estante. O romance de E. O. Chirovici traz uma mescla de thriller policial com psicológico e mostrou que a espera por sua leitura valeu a pena.

O agente Peter Katz recebe parte de um manuscrito, intitulado O Livro dos Espelhos. Nele, o autor Richard Flynn descreve os acontecimentos em seu primeiro ano em Princeton, em 1987, que culminaram em um assassinato não solucionado até os dias atuais. Interessado em terminar a leitura do manuscrito, o agente vai em busca do autor — até descobrir que ele está à beira da morte e mais ninguém conhece o paradeiro do livro.

O Livro dos Espelhos se divide em três partes. Na primeira, a narrativa em primeira pessoa se divide entre a de Peter Katz, agente sobre quem pouco sabemos ao longo do romance, e assume majoritariamente a voz de Richard Flynn, uma vez que lemos seu manuscrito junto de Katz. Na segunda parte, ainda em primeira pessoa, temos a perspectiva de John Keller, repórter investigativo contratado por Katz para ir atrás do manuscrito de Flynn. Por fim, na terceira e última parte, a narrativa também em primeira pessoa é de Roy Freeman, investigador de polícia que havia sido responsável pelo caso de 1987 narrado por Flynn. Dessa maneira, os três narradores testemunha — Peter Katz, John Keller e Roy Freeman — vasculham os acontecimentos que envolveram Richard Flynn em 1987 a partir do manuscrito que ele escreveu. Essa alternância, em um primeiro momento, acabou por me distanciar um pouco da leitura, uma vez que não permitiu a conexão com os narradores. Contudo, ao chegar ao final, compreendi que a alternância de perspectivas era importante na construção do romance como um todo.

A escrita de E. O. Chirovici é muito ágil e fluida, de maneira que O Livro dos Espelhos pode ser lido em poucas horas. Associado a isso, a trama em si é convidativa, cujo suspense permanece até o fim e é intensificado pelas reviravoltas que a obra traz. O trunfo do autor está em ter abordado os acontecimentos por uma perspectiva psicológica: memória e percepções compõe o jogo de impressões que constroem o caso — impressões essas referidas no título dado por Chirovici, já que elas refletem umas às outras formando diferentes imagens da realidade.

Pelo estilo de escrita do autor, os temas não são abordados com profundidade, mas na medida certa para trazerem as explicações necessárias e fazerem do romance mais rápido. A contrapartida é que, embora eu tenha gostado do livro, não o achei impactante, considerando-se o potencial que sua premissa demonstrou. Acredito que tenha faltado tensão, o que poderia ter intensificado a experiência de leitura. 

Em linhas gerais, gostei de O Livro dos Espelhos por sua agilidade e por ser uma obra bem pensada, com assuntos e construção inteligentes. Porém, deixou a desejar em termos de impacto, algo relevante em se tratando de thrillers.





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5 Respostas para "[Resenha] O Livro dos Espelhos — E. O. Chirovici"

RUDYNALVA CORREIA SOARES - 13, outubro 2020 às (23:15)

Aione!
Uma pena a autora não ter aprofundado os tema importantes e ter dado prioridade para o romance, porque perdeu um pouco de impacto.
Livro policial tem que trazer as pistas para acompanharmos e tentarmos ir soluionando o mistério conform vamos lendo.
Ainda assim, apesar de suas ressalvas quanto as falas dos protagonistas, gostaria de ler, porque se a trama é intrincada, acredito que dê para quebrar a cabeça com ela.
cheirinhos
Rudy

Angela Cunha - 14, outubro 2020 às (07:34)

Já tinha lido bem superficialmente sobre esse livro, mas admito que não me senti tentada a ler ele não. Até pela falta de profundidade no tema e por ser assim, lento, lento rs
Dificilmente é o tipo de leitura que me prenda.
Não digo que nunca lerei, mas…
Beijo

Anna Mendes - 14, outubro 2020 às (18:33)

Oi Aione!
Que legal você ter feito a resenha desse livro!
Eu li O Livro dos Espelhos lá em 2018 e lembro que gostei muito da leitura.
Foi uma história envolvente do começo ao fim.
Não lembro se teve algum ponto que me incomodou na leitura ou não, mas sei que o final deixou um pouquinho a desejar para mim, porque eu esperava algo mais impactante ou surpreendente.
Ainda sim é um ótimo thriller! Muito bem desenvolvido.
Bjos!

eliane - 16, outubro 2020 às (20:03)

Ola
Ainda náo li esse livro
Ele possui uma trama que me chama a atençao que é a soluçáo de algum misterio ..náo o coloco na lista de desejados porque ja estou com muitos livros encalhados .
Mas se o encontrar em algum sebo eu compraria sim .

Scheila - 20, outubro 2020 às (13:54)

Oi, Aione

Mesmo sendo de 2017, eu nunca tinha visto esse livro.
Achei um pouco confuso o enredo inicialmente, mas acredito que as três partes se encaixam no fim.
Mas como você disse que foi um livro com uma construção inteligente, acredito que seja bom, mesmo não sendo tão impactante assim.
Beijos!

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