[Resenha] As Quatro Rainhas Mortas - Astrid Scholte | Minha Vida Literária
Minha Vida Literária
21

fev
2020

[Resenha] As Quatro Rainhas Mortas – Astrid Scholte

Título: As Quatro Rainhas Mortas
Título original: Four Dead Queens
Autor: Astrid Scholte
Tradução: Adriana Fidalgo
Editora: Galera Record
Número de Páginas: 392
Ano de Publicação: 2019
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Na efervescência de paixões proibidas, segredos e alguns mistérios, o reinado das quatro rainhas de Quadara está ameaçado – resta saber como, e por quem.
No continente de Quadara, há séculos quatro rainhas reinam absolutas, cada uma representando o próprio quadrante. Juntas, mas separadas. A decidida iris fala por archia, a ilha de terras férteis; a estoica corra representa a tecnológica eonia; marguerite, a mais velha das rainhas, é a soberana de toria e de seus curiosos habitantes; e stessa, a mais jovem, é o rosto de ludia, o quadrante da diversão e da arte. As quatro mulheres dividem o poder, sempre respeitando as leis das rainhas, sempre pensando no povo e no melhor para a nação.
Mas elas têm segredos, e estes podem ser letais. Tão letais quanto Kelarie Corrington. Aos 17 anos, a toriana é a mais hábil larápia e a melhor mentirosa de jetée. Um distrito de excessos, contrabando e charlatões. O último lugar que varin, um mensageiro eonista, deveria visitar. Mas ele foi roubado. Por kpKeralie, e a jovem é a única esperança de reaver a mercadoria e manter seu emprego. Um mensageiro nunca pode perder sua encomenda. Para piorar, há coisas muito mais sinistras nos chips de comunicação afanados por Keralie.
Algo que pode enredar a larápia e o mensageiro em uma conspiração para assassinar as quatro rainhas de Quadara. Sem opção, os dois resolvem se unir para descobrir o assassino e salvar a própria vida no processo. Quando sua relutante parceria começa a se transformar em algo mais, os dois precisam aprender a confiar um no outro e a superar as diferenças entre quadrantes para viver esse amor. Mas será que uma curiosa toriana e um insensível eonista têm alguma chance.

Astrid Scholte passou dez anos de sua vida trabalhando com cinema e animações, participando de Avatar e As Aventuras de Tintin. Ela sempre soube que viveria de fantasia e seu primeiro livro, As Quatro Rainhas Mortas, é a realização desse sonho.

O continente de Quadara é dividido por quatro quadrantes, sendo cada um deles governado por uma rainha. Dessa forma, do palácio onde todas vivem, elas governam as necessidades de seu povo. Sempre juntas, mas separadas, esse é o lema que descreve a condição da Rainha Iris de Archia, da Rainha Marguerite de Toria, da Rainha Corra de Eonia e da Rainha Stessa de Lúdia. Coexistindo quatro rainhas em paz, o continente não parece ameaçado, pelo menos não por uma guerra. São segredos que movem o palácio onde elas vivem que traz o verdadeiro perigo. Tão letais quanto nossa protagonista, Keralie, uma larápia de 17 anos que é hábil e a melhor mentirosa de Jeteé, um distrito de Toria, repleto de pessoas perigosas e um mercado negro querendo tirar o melhor possível de seu leilão noturno. Acompanhando sua saga de furtos, Keralie vai nos levar a Varin, um mensageiro Eonista que carrega uma perigosa mensagem, algo que sem saber o poder, a larápia furta. Em uma mistura de cão e gato, os dois vão tentar sobreviver no meio de uma conspiração perigosa, na qual o prêmio é a morte de todas as quatro rainhas. Será que um mensageiro insensível e uma larápia curiosa são capazes de descobrir o assassino e impedir o plano maligno?

As Quatro Rainhas Mortas foi o primeiro livro de fantasia que pego em muito tempo. Antes esse era meu gênero favorito, mas conforme fui envelhecendo, meu gosto começou a mudar e acabei deixando de lado os mundos fantásticos. Reaver esse delicioso momento, de me reencontrar com algo que gostava tanto, me trouxe uma certa nostalgia. A obra de Astrid tem muito do que li na minha juventude: seus personagens são carismáticos, sarcásticos, possuem aquela receitinha de bolo perfeita para formar um casal fácil de se apaixonar. É um clichê, mas do tipo de cai bem em uma leitura de domingo.

Essa é uma obra única, não tem continuação, e muita gente deve ficar curiosa em como um autor conseguiria colocar tudo sobre Quadara em 390 páginas. Não tem como. É uma realidade triste, pois se comparando aos outros tantos livros de fantasia, dá para sentir que do meio para o fim foi extremamente atropelado. Astrid não explica muita coisa, fica para a imaginação do leitor características, curiosidades, a parte histórica da coisa, atrapalhando bastante na imersão, que faz a gente realmente se sentir parte daquele mundo ou desejar estar nele. Acho que valia muito ter trabalhado em uma trilogia aqui.

Vou explicar com calma e tentar não dar spoiler. Temos uma aventura de RPG (Role Play Game) aqui. A protagonista pega uma informação valiosa e ela tem de saber se vai salvar o mundo ou não. Básico na jornada do herói. É algo que eu adoro, que a gente encontra em muita criação de enredo. Existe os momentos de questionamento, de falar sobre o mundo e suas curiosidades e o começo do livro é realmente isso, esse movimento entre farei algo ou não. Em As Quatro Rainhas Mortas o problema de fato foi o clímax. Do meio para o final a autora pisou no acelerador e não teve quem parasse. É uma coisa se sobrepondo a outra, um acontecimento tomando o lugar de algo que nem tinha terminado de se explicar, então, quando chega no clímax, a gente não está pilhado em saber o que vai acontecer, o leitor, na verdade, não está entendendo é nada.

Veja bem, tudo isso que estou falando é uma percepção minha na leitura, pode ser que outras pessoas não tenham sentido o mesmo. Quando eu cheguei ao final, a revelação, o anexo de capítulos com vozes de personagens novos, deu uma quebrada forte em toda a imersão no mistério. Acho que apesar de ser um livro de fantasia, grande peso estava no suspense envolvendo o assassino e isso deixou muito a desejar. Pecou na construção do vilão, no desenvolvimento da revelação.  Enfim, acredito que não foi uma conclusão digna de tudo o que se encontra no começo do livro.

Um ponto positivo, que me fez sentir bem em ler foi o fato de que a autora usou da força feminina no livro. Temos quatro rainhas, temos uma protagonista mulher e é legal saber que essa representatividade está sendo trazida para os leitores jovens. Eu gostaria de ter encontrado isso nos livros que li quando adolescente, mas na minha época era raro encontrar uma protagonista mulher ou que exercesse um papel destaque na obra.

As Quatro Rainhas Mortas é um livro de fantasia com suspense envolvendo a força feminina, ambição, luta pela sobrevivência e acima de tudo, o perdão. Então, para finalizar minha resenha, lhe pergunto: Uma larápia pode se tornar uma heroína? Leia o livro e depois me conte o que acha disso.

 





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8 Respostas para "[Resenha] As Quatro Rainhas Mortas – Astrid Scholte"

Anna Mendes - 22, fevereiro 2020 às (13:32)

Oi Fran!
Amei a sua resenha!
Fiquei completamente apaixonada pela capa desse livro e achei a premissa interessante e um pouco diferente.
Fiquei realmente surpresa de saber que esse é um livro único! Não costumo gostar de quando a história começa a ficar toda atropelada no final, principalmente se tratando de um livro de fantasia. Gosto quando tudo fica bem “amarradinho” e explicado.
Ainda assim, se um dia tiver a oportunidade, farei a leitura! 🙂
Bjos!

Angela Cunha - 25, fevereiro 2020 às (12:22)

Uma de minhas próximas leituras. Quando recebi este livro, fiquei olhando a capa um bom tempo, achei maravilhosa. E por trazer fantasia, já sei que vou me apaixonar pela história das Rainhas e suas missões!
As mulheres estão dominando a literatura e o cinema e isso é fantástico!
Lerei em breve!
Beijo

Ana Carolina Venceslau Dos Santos - 26, fevereiro 2020 às (15:23)

O que eu mais gostei nesse livro foi o fato de que uma fantasia misturada com ficção científica que é contada em apenas um livro Pois é muito difícil você encontrar uma fantasia tão sofisticada que não seja dividida em várias outros livros e demore anos para serem publicados

Elizete Silva - 27, fevereiro 2020 às (19:24)

Olá! Um lado positivo da história é saber que não haverá continuações intermináveis, ganhei esse livro e estava com receio de iniciar a leitura, justamente por pensar que ele faria parte de uma série (na verdade quando ganhei, pensei que ele fazia parte de outra série, mas enfim!), mas em contrapartida ficou aquela dorzinha em descobrir que apenas um livro não foi suficiente (coisas de leitora bipolar). O gênero é um dos meus favoritos, por isso, mesmo com todas essas ressalvas, quero sim tirar ele da minha estante o mais breve possível!

Scheila - 28, fevereiro 2020 às (16:42)

Oii, Fran!

As vezes gosto de ler alguns livros assim, de fantasia! obrigada pela resenha, adorei saber sobre esse livro.
Sendo um livro unico, acredito q

Scheila - 28, fevereiro 2020 às (16:43)

Oii, Fran!

As vezes gosto de ler alguns livros assim, de fantasia! obrigada pela resenha, adorei saber sobre esse livro.
Sendo um livro unico, acredito que seja esse o principal motivo por ser um pouco atropelado no final, né!?

Mas gostei!

Beijos

Rayane - 28, fevereiro 2020 às (20:11)

Confesso que já tinha ouvido falar desse livro e ele também não me chamou muito a atenção de início, mas sua resenha me fez mudar de ideia. Fiquei curiosa para saber os segredos dessas rainhas e se Keralie e Varin irão ter sucesso nessa jornada deles, e qual será o desfecho dessa história. Bem ansiosa por essa leitura!

Ana I. J. Mercury - 29, fevereiro 2020 às (13:16)

Oi, Fran
Aiii tô doida para ler esse livro!
Os personagens parecem ser bem cativantes, bem construídos, além de ser uma fantasia cheia de mistérios e reviravoltas!
Também estranhei ser só um livro, mas pode ser que com o sucesso agora, a autora decida escrever mais sobre esse mundo!
Assim que der, lerei!
bjs

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