[Resenha] Tudo que a gente sempre quis – Emily Giffin | Minha Vida Literária
30

out
2019

[Resenha] Tudo que a gente sempre quis – Emily Giffin

Título: Tudo que a gente sempre quis
Título original: All We Ever Wanted
Autor: Emily Giffin
Tradução: Marcelo Mendes
Editora: Arqueiro
Número de Páginas: 304
Ano de Publicação: 2019
Skoob: Adicione
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Casada com um membro da elite de Nashville, Nina Browning leva a vida com que sempre sonhou. Recentemente, o marido ganhou uma fortuna vendendo seu negócio de tecnologia e o filho adorado foi aceito em Princeton. No entanto, às vezes Nina se pergunta se ela se afastou dos valores com que foi criada em sua pequena cidade natal.
Tom Volpe é um pai separado que se divide entre vários empregos para criar a filha, Lyla. Ele finalmente começa a relaxar depois que a menina ganha uma bolsa de estudos na escola de maior prestígio de Nashville.
Filha de uma brasileira e de origem menos abastada, Lyla nem sempre se encaixa em meio a tanta riqueza e privilégios, mas, na maioria das vezes, ela é uma adolescente típica e feliz.
Então uma fotografia, tirada em um momento de embriaguez em uma festa, muda tudo. À medida que a imagem se espalha, as opiniões da comunidade se dividem.
No centro das mentiras e do escândalo, Tom, Nina e Lyla são forçados a questionar seus relacionamentos mais íntimos, percebendo que tudo que sempre quiseram talvez não fosse tão perfeito assim.

Tudo Que A Gente Sempre Quis marcou a estreia de Emily Giffin na editora Arqueiro no Brasil e meu retorno às suas obras. Apesar de muito fã dos livros da autora, fazia anos desde meu último contato com algum deles.

O casamento de Nina fez com que ela ascendesse socialmente, e o sucesso do marido com os negócios colocou o casal dentro da elite de Nashville. Ela, porém, vem repensando suas escolhas desde a estrondosa mudança do padrão de vida de ambos, uma vez que ela passou a reconhecer no marido características que antes não a incomodavam. Quando, em uma festa, seu filho se envolve em um conflito iniciado por uma foto tirada de Lyla, jovem bolsista da escola, ela, a garota e Tom, pai dela, se verão em meio ao escândalo, questionando tanto quem são quanto suas próprias relações.

Em primeira pessoa, os capítulos se alternam entre as perspectivas de Nina, Tom e Lyla, acompanhando principalmente a primeira. Não só a escrita da autora se mostra versátil em representar as diferentes vozes dos personagens, como também se faz completamente envolvente. Devorei Tudo Que A Gente Sempre Quis em pouco mais de um dia e não queria me afastar da leitura em momento algum. Vale ressaltar aqui o ótimo trabalho de tradução de Marcelo Mendes; além de transpor para o português a agilidade e o envolvimento da escrita de Emily Giffin, o tradutor também conseguiu manter na edição brasileira algumas das diferenças linguísticas que aparecem no texto original: há termos e vocábulos que são usados pelos personagens em determinados momentos para marcar diferenças etárias e sociais, e tais passagens tiveram o equivalente em português de forma a transmitir a mesma ideia ao longo da leitura.

O que mais gosto nos livros de Emily Giffin é a forma de como ela desenvolve bem os conflitos do enredo e suas personagens. As situações em suas obras costumam ser multifacetadas e complexas, demonstrando o quanto a vida em si se desdobra em tons de cinza ao invés de um prático preto ou branco. O que as personagens vivem nos causa reflexão e, principalmente, nos coloca em suas posições, buscando compreender as limitações de cada uma ao invés de assumirmos uma posição de julgamento. E isso, é claro, está presente em Tudo Que A Gente Sempre Quis, feito com maestria pela autora, especialmente pela forma de como os próprios papéis que os protagonistas assumem são também colocados em tensão: Nina, por exemplo, olha para o filho como mãe, mas seus valores como mulher e cidadã entram diretamente em conflito com isso. E eu adorei ver toda a reflexão que a personagem faz sobre si, indicada desde o título e pela excelente capa da edição brasileira: será que tudo aquilo que sempre quisemos é de fato o melhor para nós? Aquilo que sempre quisemos ainda conversa com quem nos tornamos? Com o passar do tempo, o quanto abandonamos as coisas que um dia quisemos?

Tudo Que A Gente Sempre Quis é, acima de tudo, um livro extremamente atual. Na época das últimas eleições nos EUA, em 2016, Emily Giffin postou uma foto no dia seguinte à vitória de Trump mostrando o quão devastada ela estava com a situação. Assumidamente “viciada por política”, como indica sua biografia no Instagram, a autora incorporou na trama do romance muitas temáticas que conversam com a situação atual não só dos EUA, mas também do Brasil, em certos aspectos, e outros países ocidentais. Machismo, xenofobia e desigualdade social são alguns dos tópicos mais centrais, debatidos sempre da posição de privilégio assumida pela protagonista — e mais um ponto positivo da leitura. O contexto do livro como um todo diz respeito a um grupo específico populacional e a autora soube situar muito bem essa posição que também é sua dentro desse círculo, além de demonstrar a posição desse círculo na sociedade como um todo. Minha sensação foi de que o romance foi uma resposta de Giffin a esse momento social e político tão inflamado.

Em linhas gerais, Tudo Que A Gente Sempre Quis foi um dos melhores livros que li esse ano tanto por conta do envolvimento que ele me proporcionou, quanto — e principalmente — pelos temas debatidos e pela forma de como eles foram discutidos. Foi ótimo relembrar o porquê de eu ser fã de Emily Giffin e de constatar que seu talento, ao que tudo indica, se intensificou com o passar do tempo.





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6 Respostas para "[Resenha] Tudo que a gente sempre quis – Emily Giffin"

RUDYNALVA - 30, outubro 2019 às (20:22)

Aione!
Faz tempo também que não leio um livro da autora e pelo visto, esse é bem completinho, ainda mais que faz críticas sobre os problemas que as nacionalidades passam em relação aos problemas em seus países.
Quando essa questão de julgarmos o comportamento dos outros e quando a história é conosco e agimos diferente, achei importante ser abordada no livro, assim podemos nos questionar.
Livro parece ótimo.
cheirinhos
Rudy

Angela Cunha - 31, outubro 2019 às (07:38)

Nossa, como fazia tempo que não lia uma resenha de um dos livros da autora!Gosto demais das suas letras e de como ela incorpora sim, temas familiares que todos nós aqui fora vivemos ou já vivemos e consegue com uma leveza, meio que nos fazer olhar por outro ângulo!
Amo isso da autora também ter essa veia política alta e oh, com sabedoria no que escreve..rs
Quero muito poder conferir este livro dela e o quanto antes!!!!
Beijo

Anna Mendes - 31, outubro 2019 às (09:36)

Oi Aione!
Amei demais a resenha!! <3
Nunca li nada da Emily Giffin, mas tenho curiosidade de conhecer a escrita dela.
Adorei a capa de Tudo O Que A Gente Sempre Quis e gostei muito da premissa.
Adoro quando os pontos de vista são intercalados entre os protagonistas e também achei muito interessante a autora ter abordado essas questões sociais e políticas que você comentou. Parece ser uma leitura que proporciona muitas reflexões importantes!
Já vai para a minha lista de desejados! 😉
Bjos!

Theresa Cavalcanti - 31, outubro 2019 às (13:08)

Olá, Aione
Não lembro de já ter lido algum livro da Emily, mas você falou tão bem, que agora quero muito ler.
Essa resenha me deixou muito curiosa, porque agora eu quero saber como eles vão lidar com a foto, como a mãe vai lidar com o filho.
Agora fiquei muito empolgada para ler esse livro!

Ariela Souza - 31, outubro 2019 às (18:14)

Me interesse bem mais pelo livro quando voce disse que a autora aborda muitos tempos politicos que sao pertinentes, acho que em qualquer lugar no mundo nesse seculo. Nunca li nada da autora, talvez eu mude isso.

Mariana - 31, outubro 2019 às (23:02)

Ainda não tive a oportunidade de ler Emily Giffin, mas esse parece ser um ótimo livro para começar!
Gosto de livros que tratam de problemas sociais que são tão importantes junto com a história que parece ser bastante instigante. Já estou querendo saber que foto é essa e como ela vai impactar a vida dos protagonistas. Me interessei muito pela história e dá para entender porque é um livro daqueles que não dá vontade de largar!
Como sempre, a resenha ficou ótima, Aione!

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