[Resenha] A Mulher na Janela – A. J. Finn | Minha Vida Literária
16

mar
2018

[Resenha] A Mulher na Janela – A. J. Finn

Título: A Mulher na Janela
Título original: The woman in the window
Autor: A. J. Finn
Tradutor: Marcelo Mendes
Editora: Arqueiro
Número de Páginas: 352
Ano de Publicação: 2018
Skoob: Adicione
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Anna Fox mora sozinha na bela casa que um dia abrigou sua família feliz. Separada do marido e da filha e sofrendo de uma fobia que a mantém reclusa, ela passa os dias bebendo (muito) vinho, assistindo a filmes antigos, conversando com estranhos na internet e… espionando os vizinhos. Quando os Russells – pai, mãe e o filho adolescente – se mudam para a casa do outro lado do parque, Anna fica obcecada por aquela família perfeita. Até que certa noite, bisbilhotando através de sua câmera, ela vê na casa deles algo que a deixa aterrorizada e faz seu mundo – e seus segredos chocantes – começar a ruir. Mas será que o que testemunhou aconteceu mesmo? O que é realidade? O que é imaginação? Existe realmente alguém em perigo? E quem está no controle? Neste thriller diabolicamente viciante, ninguém – e nada – é o que parece. “A Mulher Na Janela” é um suspense psicológico engenhoso e comovente que remete ao melhor de Hitchcock.

Como fã assumida de thrillers psicológicos, me interessei por A mulher na janela desde que vi o anúncio de seu lançamento pela editora Arqueiro. Romance de estreia de A. J. Finn, crítico literário, pertence ao mesmo estilo de títulos como A garota no trem e Antes de dormir, que trazem como protagonistas mulheres cujas memórias estão comprometidas e, por isso, geram dúvidas em relação a terem ou não vivenciado (ou testemunhado) algum crime.

Anna Fox vive reclusa há quase um ano. Após ter se separado do marido e da filha e de ter desenvolvido agorafobia, ela não consegue sair de casa. Sua existência, então, se resume a assistir a filmes antigos, conversar com estranhos na internet, observar a vida dos vizinhos e tomar muitas taças de vinho para acompanhar sua medicação psiquiátrica. Quando uma família se muda para a casa em frente a sua, Anna fica obcecada por eles até testemunhar algo que a deixa transtornada. Porém, seu maior desafio será diferenciar realidade da imaginação: só assim ela poderá convencer os que estão ao seu redor sobre o que ela viu.

A leitura de A mulher na janela foi simplesmente viciante. Logo nos primeiros parágrafos, me vi imersa na narrativa em primeira pessoa e, consequentemente, nos pensamentos de Anna. A.J. Finn soube muito bem como mesclar o caráter introspectivo da obra com os elementos externos à personagem, fazendo com que o contexto da obra como um todo seja bastante completo. Não foi difícil visualizar as cenas, como se estivesse assistindo a um filme, nem a de compartilhar com a protagonista seus sentimentos e sensações.

O que mais se destacou em A mulher na janela para mim foi a atenção de A.J. Finn aos detalhes: a trama é extremamente bem construída. Nada do que é colocado no enredo ou na narrativa aparece por acaso, tudo tem um propósito — seja para conectar acontecimentos entre si, seja para atribuir camadas interpretativas à leitura. O trabalho feito aqui pelo autor é nitidamente o de alguém que conhece com profundidade a estrutura de uma obra, conhecimento esse muito provavelmente advindo de sua função de crítico; ao analisar leituras, passa-se a compreendê-las em todos seus níveis.

Como fiquei encantada pela maneira de como A. J. Finn construiu cada detalhe da história, minha atenção a ela foi também redobrada. Dessa maneira, consegui desvendar os mistérios que ela apresenta antes mesmo deles serem revelados. Contudo, isso não fez de A mulher na janela menos surpreendente ou atrativo; ao contrário, finalizei a leitura extremamente satisfeita com tudo que ela me proporcionou: entretenimento, o prazer de ter passado horas incríveis imersa nas páginas, o trabalho mental de procurar por pistas, a satisfação de ter sido capaz de conectá-las.

Aos que apreciam leituras instigantes e extremamente cativantes, A mulher na janela é uma excelente opção. Foi sem dúvidas uma das melhores leituras de 2018 que fiz até agora, tanto pelo grau de envolvimento que me proporcionou quanto por sua construção primorosa.

 





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11 Respostas para "[Resenha] A Mulher na Janela – A. J. Finn"

Dandara Machado - 16, Março 2018 às (18:01)

Aione,

Li também, é quase impossível largar o livro até a sua conclusão, muito bom!

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Daiane Araújo - 17, Março 2018 às (07:53)

Oi, Aione.

Um livro que mistura delírio (vamos dizer assim) e realidade, costuma prender o leitor até a última página. E esse parece ser o caso desse livro. ?

Após ter, supostamente presenciado algo terrível, fica difícil, eu diria até para a Anna, acreditar em suas próprias nuances. E traz questionamentos sobre sua mentalidade, então fica difícil distinguir tudo.

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RUDYNALVA CORREIA SOARES - 17, Março 2018 às (23:05)

Aione!
Amo thrillers psicológicos também, são instigantes e nos colocam para pensar.
Bom ver que o autor resgatou um pouco do suspense tenebroso dos livros dos anos 50, deve ser muito boa a leitura e a protagonista enfrentar seus traumas do passado, deixando a dúvida se é ou não real o que vê, porque é alcoolatra, deve trazer grande suspense.
Bom domingo!
“Quando choramos abraçados e caminhamos lado a lado. Por favor amor me acredite, não há palavras para explicar o que eu sinto…” (Renato Russo)
cheirinhos
Rudy
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Adriana Holanda Tavares - 18, Março 2018 às (10:58)

Poxa, admito que tinha uma visão totalmente diferente do livro. Aliás, sei lá, acho que nem tinha colocado ele na lista de desejados ainda(não mesmo), aliás certeza que não
Pensava ser algo semelhante a Garota Exemplar, ou a garota no trem,não pergunte os motivos. Essa mania de ver capa e não ler sinopse ou resenha.
Aliás, é a primeira resenha que leio e agora sim vai para a lista de desejados.

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Aione Simões 18 mar 2018

@Adriana Holanda Tavares, na realidade ele é similar ao Garota no Trem rs, por isso mencionei o livro no começo da resenha 🙂

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Annie Fontoura - 18, Março 2018 às (14:34)

Oi!!
Não conhecia o livro, mas fiquei super intrigada.
Acho ótimo o fato de tudo ter um motivo para entrar na narrativa, fazendo o leitor ter de prestar muita atenção aos detalhes.
Que bom que ter descoberto os mistérios não tirou de você a satisfação com o final da obra. Por gostar muito desse gênero eu geralmente também presto muita atenção e tento desvendar o final antes.
Beijos!!
Nerd Fox

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Pamela Liu - 19, Março 2018 às (16:18)

Oi Aione.
Adoro ler thrillers psicológicos, por esse motivo estou bastante curiosa para ler A mulher na janela.
Já li A garota no trem e gostei muito. Personagens femininas que tem suas memórias comprometidas e por isso seu relato não é 100% confiável dá um tom mais misterioso e desafiador à história.
É bom saber que o autor conseguiu desenvolver bem a ambientação e os personagens e que tudo que é acrescentado tem alguma importância na história.
Espero ler esse livro em breve e gostar tanto quanto você.
Beijos

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Micheli Pegoraro - 20, Março 2018 às (10:34)

Oi Aione,
Também comecei a apreciar mais thrillers psicológicos, isso graças as suas resenhas *-*
Quando vi o lançamento desse livro já corri adicionar na lista de desejados, pois essa premissa me fisgou na hora. Agora, depois de ler essa resenha e conhecer um pouco mais dessa trama tão bem construída eu fiquei ainda mais empolgada em ler esse livro eletrizante e viciante.
Esse autor pelo jeito escreve com maestria, fisgando o leitor de inicio ao fim.
Beijos

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suzana cariri - 30, Março 2018 às (14:46)

Oi!
Ainda não li esse livro, mas estou vendo muitos comentários sobre ele, é interessante esse contesto todo da vida da personagens, acho que por não sabemos se o que ela conta e mesmo o que aconteceu acaba ficando ainda mais intrigante toda a historia e a curiosidade só aumentando, se tiver oportunidade quero ler !!

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Ana Carolina Venceslau Dos Santos - 31, Março 2018 às (11:19)

De fato foi repercussão muito grande quando anunciaram lançamento desse livro a editora investir fundo em marketing e eu fiquei bem curiosa respeito apesar de a capa não ter me chamado atenção em conferir esse novo trabalho da autora

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Ana I. J. Mercury - 31, Março 2018 às (14:44)

Oi Aione,
não é do meu gênero preferido, mas adorei sua resenha.
Deu pra ver que é uma história bem bolada, com sentido e que nos surpreende.
Além de bem escrita.
Tô curiosa aqui!
Vou querer sim!
bjoss

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