Oi gente!
O Breno Melo veio com mais uma colaboração para o Minha Vida Literária!
O assunto de hoje foi extensamente debatido na blogosfera literária durante a Semana Anti-Plágio. Porém, ela aconteceu exatamente na minha semana de relatório do estágio, então acabei ficando de fora. Assim, através de dois textos, sendo que o próximo será publicado na próxima semana, o Breno e o Minha Vida Literária contribuirão com o assunto, ainda que com algumas semanas de atraso!
Agradeço ao Breno pelo texto e espero que vocês gostem!
Ah, e aproveitando para divulgar, hoje foi lançado o novo blog do autor, o Superleituras. Se puderem, passem por lá para conhecerem!
Plágio na Internet: O assunto da moda
Se você é blogueiro, encontra uma resenha sua em outro blog, assinada por outra pessoa, isso é plágio. Ninguém pode apresentar como própria a resenha de outra pessoa.
Mas, antes de falarmos sobre plágio, deveríamos falar sobre Direito Autoral. Os escritores costumam registrar suas obras, de modo que possam comprovar a autoria se esta for contestada por terceiros, ainda que o registro não seja o único meio de se provar a autoria.
No caso dos jornais, o texto publicado não é anteriormente registrado. A simples circulação dos exemplares prova a autoria do texto impresso nele, salvo publicação ou registro anterior, é claro!
As versões on-line dos grandes jornais também se comportam assim.
E os blogs literários se assemelham aos jornais on-line quando publicam resenhas. Um blogueiro, certamente, não vai registrar um pequeno texto por dia ou por semana, nem vai reunir uma centena de resenhas, ao longo de um ano ou dois, antes que finalmente as registre. A simples publicação dessas resenhas na Internet, além dos testemunhos dos visitantes, especialmente sob a forma de comentários, costuma ser o bastante para que a autoria de dada resenha não seja contestada pelos Internautas; e não me consta que alguém já tenha recorrido à Justiça porque teve uma resenha plagiada na Internet. (Se algum de vocês conhece um bom exemplo, comente aí embaixo.)
Nos casos de plágio na Internet, a autoria das resenhas costuma ser reconhecida mais cedo ou mais tarde; e tudo costuma acabar aí.
Mas o que exatamente é plágio?
Se nós estamos falando de textos escritos, o que se registra, em se tratando de Direito Autoral, não são as ideias, mas o texto, palavra por palavra.
Sendo assim, alguém pode empregar ideias antigas para escrever textos novos. Isso, de modo algum, é plágio. Veja: Quantos livros didáticos, de autores diferentes, existem sobre História do Brasil? Centenas, talvez milhares; e cada um deles foi escrito por um autor diferente. A ideia é a mesma, os fatos narrados são os mesmos, mas as palavras, o texto de cada autor é diferente, ao menos ligeiramente, de modo que o livro de um autor não seja igual ao de outro. Isso, de modo algum, é plágio.
Expressões populares ou trechos curtos tampouco constituem plágio.
Expressões como “Eu te amo”, “Bom dia”, “Hoje eu tive um dia terrivelmente cheio”, etc., não se registram, isto é, jamais poderiam ser consideradas plágio. É o caso de “livros em pauta”, por exemplo.
É engano dizer que alguém tem direitos autorais sobre a expressão “livros em pauta” porque registrou o domínio www.livrosempauta.com. Direitos autorais não tem nada a ver com o espaço oferecido em sites de hospedagem.
Se outra pessoa já não pode registrar o domínio www.livrosempauta.com, é porque esse domínio já está em uso na Internet. Ainda assim, o domínio www.livrosempauta.org, por exemplo, pode estar livre.
Se alguém realmente tivesse direitos autorais sobre essa expressão, não bastaria que outra pessoa comprasse o domínio num site de hospedagem. Seria preciso que essa outra pessoa também tivesse autorização de quem detivesse os direitos autorais sobre a expressão “livros em pauta” para – aí sim – fazer uso do domínio na Internet. Mas, volto a dizer, essas expressões não se registram, de modo que não podem ser objeto de plágio.
O que você pode fazer é registar o domínio www.aionesimoes.com.br, por exemplo, de modo que Aione Simões no futuro, querendo fazer uso desse domínio, tenha que comprá-lo de você. Mas esse registro virtual não tem nada a ver com aquele outro registro que te dá direitos autorais!
Como os nomes de pessoas não se registram para fins de direitos autorais, porque são de domínio público, lhe restaria registrar/comprar o domínio virtual na Internet.
O que se poderia fazer facilmente, em se tratando de direitos autorais, é registrar “livros em pauta” como marca. Neste último caso, essa marca já não poderia ser usada livremente, em algum produto, sem autorização de quem detivesse direitos autorais sobre ela. Mas veja que já não estamos falando de textos escritos, ou eu não poderia usar, por exemplo, o nome Coca-Cola neste texto sem a autorização prévia da Companhia Coca-Cola.
OK. Estou entendendo. Mas o que dizer do livro Não Deixe o Sol Brilhar em Mim. É plágio?
Não conheço as obras envolvidas. Mas, se tudo se resume a ideias semelhantes ou até mesmo iguais, sem que os textos sejam os mesmos, palavra por palavra, já poderíamos dizer que não é plágio.
É claro que, se alguém muda apenas umas frases aqui e ali num texto de 300 páginas, só para disfarçar, são outros quinhentos. Teríamos praticamente o mesmo texto, e já poderíamos dizer claramente que houve plágio. Não digo, entretanto, que seja o caso do livro há pouco mencionado; nem creio que possa ser, ou os leitores já teriam notado a grande semelhança.
Muitas comédias românticas, por exemplo, até hoje não se cansam de repetir arquétipos de décadas atrás, originais de “The Graduate”. A noiva que desiste do casamento em cima da hora, diante do altar, e foge da igreja com outro é um arquétipo repetido à exaustão. Mas essas “repetições” não são plágio de “The Graduate”.
O que acontece é que a maioria dos leitores desconhece livros publicados décadas, séculos ou milênios atrás, e não percebe esses clichês. Quando percebe, a maioria dos leitores chama isso, erroneamente, de plágio.
OK. Estou entendendo. Mas, e se alguém copia apenas um parágrafo de minha resenha para inserir em outra maior, é plágio?
Sim, é plágio. Porque não mencionaram a fonte. Mas não porque deixaram de te pedir autorização.
Mas na prática, havendo menção à fonte, outro blog pode até mesmo republicar uma resenha inteira de seu blog, sem pedir autorização prévia. Seria como republicar um artigo de jornal, informando apenas a fonte.
Os livros didáticos de Literatura, por exemplo, costumam reproduzir poemas de Drummond ou trechos de livros de Jorge Amado, mas isso não é plágio. A Lei permite reproduzir trechos de outras obras, sem autorização prévia, desde que mencionada a fonte.
Mas como assim fonte? E a tal autorização?
Já disseram que, ao menos em teoria, até mesmo os tweets precisam de autorização do autor (do tuiteiro) para que possam ser reproduzidos (retuitados). Na prática, é completamente diferente. Já imaginou alguém ganhando uma causa porque retuitaram um tweet dele sem autorização prévia?
Se um juiz entende que os blogs literários são como os periódicos e as revistas, ainda que virtuais, já há legislação a respeito.
Plágio é crime, plagiaram uma resenha minha e quero entrar na Justiça. Posso?
Pode. Mas você terá que:
1) Provar que é o autor da resenha;
2) Provar que sua resenha foi apresentada como de outrem;
3) Identificar o plagiador.
Mesmo que você identifique o plagiário, através do IP, ele poderia alegar que o computador dele não é de uso exclusivo dele, mas da empresa, da família, etc. Ele também poderia apresentar uma nota fiscal da época, discriminada, mostrando que recorreu aos serviços de um técnico porque seu computador havia sido atacado por vírus, etc. O mais provável, entretanto, é que ele simplesmente apagasse as resenhas copiadas ou acrescentasse a fonte (o endereço virtual que primeiro publicou a resenha, porque até então havia “se esquecido” de fazê-lo).
Bastaria que o juiz ficasse em dúvida para absolver o réu.
Ainda assim, na prática, quando é a primeira vez que o plagiador é condenado, os juízes costumam dar antes um belo esporro que um castigo severo, até onde (é claro!) a Lei lhes permite agir assim.
Tem mais?
Por fim, note que autoria é uma coisa, e que ter direitos autorais é outra. Se você é autor, pode vender ou doar os direitos autorais sobre sua obra, mas não a autoria.
Se alguém publica um texto seu sem a devida autorização prévia, mas informando a correta autoria, isso não é plágio. Porque seu texto não foi apresentado como sendo de outra pessoa. O que houve, nesse caso, foi algo igualmente errado, mas que já recebe outro nome.































Muito legal o post Breno.
ResponderExcluirAliás, todos os parceiros/colunistas desse blog o tornam minha leitura obrigatória.
liliescreve.blogspot.com
Excelente, Breno!
ResponderExcluirUm dos posts mais completos que eu já li por aí sobre o assunto!
Vejo mtas pessoas (blogueiros, inclusive) que reclamam do pessoal que publica alguma coisa do blog, mencionando a fonte, mas não pede a permissão. Eu sabia que não teria problemas, é só questão de ser educado mesmo, certo? xD
Abraços!
Adorei o texto, muito bem explicado. Perfeito!
ResponderExcluiracho isso uma falta de educação , mas nem todo mundo é honesto , ainda mais no Brasil!
ResponderExcluirNossa!
ResponderExcluirJá conhecia a escrita do Breno, por meio de Marta, mas dissertando se sai tão bem quando narrando.
Adorei o texto, ficou excelente e nem um pouco cansativo. É um texto longo, mas suuuper gostoso de ler!
É, plágio é um assunto polêmico. Não consigo imaginar tendo um texto plagiado... acho que ficaria P da vida! É uma coisa tão errada, e têm muita gente que insiste em fazer sem imaginar que poderão ser descobertas...
Interessante as suposições que o Breno colocou, tornou o texto ainda mais claro e interessante.
Adorei o final!!! Aquele ar de "continua no próximo capítulo", hahaha Quero ver a parte final! *-*
Parabéns, Breno, pelo texto impecável! E, Mi, pelo espaço cedido, no Minha Vida Literária, para falar de algo tão interessante. :D
Excelente texto e muito esclarecedor!
ResponderExcluirEspero já pela segunda parte ^^
Parabéns Breno, gostei muito do post!
Beijos
Ei Breno e Aione, adorei a idéia de vocês de aderirem à causa e publicarem um texto esclarecedor que permite debater o assunto. Acho que as coisas têm que estar bem claras na blogosfera, e não é menos do que respeito cumprir essas regrinhas básicas na internet.
ResponderExcluirBeijos
Oi Breno e Aione.
ResponderExcluirAdorei o post! E parabéns pela ideia de vocês, acredito que foi de grande esclarecimento para a blogosfera.
Beijos.
Oi Mi!
ResponderExcluirGostei bastante do texto do Breno, realmente concordo com o Lu acima, é tão interessante que a gente nem nota quando já está quase terminando. Agora até certo ponto eu fiquei na dúvida. Pois com tudo isso que veio acontecendo na internet, uma das coisas que foram amplamente divulgadas foi o fato de que pegar uma ideia de alguém mesmo que o autor a reescreva de outra forma era sim considerado plágio. Não digo que o Breno esteja errado, até porque não conheço tanto sobre o assunto e muito provavelmente ele entende bem mais do que eu.
Mas por exemplo, o ápice de toda essa questão de plágio que repercutiu a blogosfera literária internacional, foi justamente o caso do blog The Story Siren, um dos mais famosos de todos os blogs sobre livros e precursor da seção In My Mail Box. No caso o que ela fez foi visitar o blog de uma menina em datas diferentes e praticamente em cada uma dessas datas construir postagens sobre o mesmo tema e assunto das que estavam lá postadas, só que com as suas palavras, sem dar credito algum a blogueira que as escreveu originalmente. E todos consideraram isso plágio, inclusive eu, e ainda considero.
Mas reconheço que também exista uma certa diferença em alguns casos. Por exemplo, não podemos pegar um assunto genérico, como uma garota se apaixona por vampiro e dizer que alguém que escreveu uma história sobre isso está plagiando, pois seria um absurdo. Assim como também existem postagens que por mais que a ideia seja a mesma (as vezes até os temas os mesmos) como, Caixinha de Correios, Especial sobre autores, Quotes, etc - todas essas que já estão amplamente divulgadas e difundidas por aí, também não podem ser consideradas plágio, apenas se as palavras forem as mesmas, mas não a ideia.
É uma linha muito tênue as vezes, e que gera muitas discussões. Realmente nos deixa um pouco confusos de vez em quando.
E como sempre, falei demais! hehe
Beijão!
OI!
ResponderExcluirBom texto!
O plágio na internet, entre blogs, é bem mais uma questão moral. É bem difícil que esse tipo de caso acabe em processo. É bom que esse assunto seja bastante discutido, pq há mtas variáveis.
Estou louca? Há algum tempo eu li um artigo sobre o assunto, dizendo que não se pode publicar um texto de outrem na integra, nem mesmo com autorização ou fonte. Não sei, não tenho certeza. Depois vou até dar uma olhada.
Como eu disse, gostei do texto.
BjoO
Pri
Entre Fatos e Livros
Muito bacana o post de hoje!
ResponderExcluirInfelizmente nem todo mundo conhece seus direitos e muita gente ainda acredita que o que está na internet não tem dono!!
Quem sabe alguém aprende alguma coisa!
beijos
Camis - Leitora Compulsiva